
Os Atributos de Deus

A. W. Pink



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ANTES DE LER

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E-books Evanglicos





















      Ttulo Original:
      The Attributes of God

      Editora:
      Bible Truth Depot

      Traduo do Ingls:
      Odayr Olivetti

      Primeira Edio em Portugus:1985

      Reimpresso: 1990

      Capa:
      Ailton Oliveira Lopes

      Composio:
      Intertexto Linotipadora S/C Ltda.

      Impresso:
      Imprensa da F






















      NDICE

       PREFCIO

       1.   A SOLIDO DE DEUS

       2.   OS DECRETOS DE DEUS

       3.   A ONISCINCIA DE DEUS

       4.   A PRESCINCIA DE DEUS

       5.   A SUPREMACIA DE DEUS

       6.   A SOBERANIA DE DEUS

       7.   A IMUTABILIDADE DE DEUS

       8.   A SANTIDADE DE DEUS

       9.   O PODER DE DEUS

       10.   A FIDELIDADE DE DEUS

       11 .   A BONDADE DE DEUS

       12.   A PACINCIA DE DEUS

       13.   A GRAA DE DEUS

       14.   A MISERICRDIA DE DEUS

       15.   O AMOR DE DEUS

       16.   A IRA DE DEUS

       17.   CONTEMPLANDO A DEUS













PREFCIO

       "Une-te pois a ele, e tem paz, e assim te sobrevir o bem" (J 22:21). "Assim diz o Senhor: No se glorie o sbio na sua sabedoria, nem se glorie o forte
na sua fora; no se glorie o rico nas suas riquezas. Mas o que se gloriar glorie-se nisto: em me conhecer e saber que eu sou o Senhor..." (Jeremias 9:23-24). Um
conhecimento salvador e espiritual de Deus  a maior de todas as necessidades de cada criatura humana.
       O fundamento de todo conhecimento verdadeiro de Deus s pode ser a clara compreenso mental de Suas perfeies, segundo revelam as Escrituras Sagradas. No
nos  possvel servir nem adorar a um Deus desconhecido, nem depositar nEle a nossa confiana. Neste breve livro fez-se um esforo para apresentar algumas das principais
perfeies do carter, divino. Para que o leitor se beneficie realmente com a leitura das pginas que se seguem, ele precisa suplicar a Deus com seriedade e determinao
que as abenoe para seu proveito, que aplique Sua verdade  conscincia e ao corao, a fim de que a sua vida seja transformada.
       Necessitamos algo mais que um conhecimento terico de Deus. S conhecemos verdadeiramente a Deus em nossa alma, quando nos rendemos a Ele, quando nos submetemos
 Sua autoridade e quando os Seus preceitos e mandamentos regulam todos os pormenores da nossa vida. "Conheamos, e prossigamos em conhecer ao Senhor..." (Osias
6:3), "Se algum quiser fazer a vontade dele... conhecer" (Joo 7:17). "... o povo que conhece ao seu Deus se esforar e far proezas" (Daniel 11:32).
       Os captulos que se seguem apareceram pela primeira vez na revista mensal "Studies in the Scriptures" (Estudos nas Escrituras), publicada pelo autor e totalmente
dedicada  exposio da Palavra de Deus e  proviso de alimento espiritual para almas famintas. Estes artigos foram reeditados em sua presente forma graas  generosidade
de um amigo cristo que financiou o custo total de sua publicao. Se Deus o permitir, o produto da venda deste livro ser empregado na publicao de outros, de
natureza similar. Seja sobre ele a bno de Deus.


       ARTHUR W. PINK









1

A SOLIDO DE DEUS

       O ttulo deste captulo talvez no seja suficientemente claro para indicar o seu tema. Isto se deve, em parte, ao fato de que hoje em dia bem poucas pessoas
esto acostumadas a meditar nas perfeies pessoais de Deus. Dos que lem ocasionalmente a Bblia, bem poucos sabem da grandeza do carter divino, que inspira temor
e concita  adorao. Que Deus  grande em sabedoria, maravilhoso em poder, no obstante, cheio de misericrdia, muitos acham que pertence ao conhecimento comum;
contudo, chegar-se a um conhecimento adequado do Seu Ser, Sua natureza, Seus atributos, como esto revelados nas Escrituras Sagradas,  coisa que pouqussimas pessoas
tm alcanado nestes tempos degenerados. Deus  nico na excelncia do Seu Ser. " Senhor, quem  como Tu entre os deuses? Quem  como Tu glorificado em santidade,
terrvel em louvores, operando maravilhas?" (xodo  15:11).
       "No princpio... Deus..." (Gnesis 1:1). Houve tempo, se  que se lhe pode chamar "tempo", em que Deus, na unidade de Sua natureza, habitava s (embora subsistindo
igualmente em trs pessoas divinas). "No princpio... Deus...". No existia o cu, onde agora se manifesta particularmente a Sua glria. No existia a terra, que
Lhe ocupasse a ateno, No existiam os anjos, que Lhe entoassem louvores, nem o universo, para ser sustentado pela palavra do Seu poder. No havia nada, nem ningum,
seno Deus; e isso, no durante um dia, um ano ou uma poca, mas "desde sempre". Durante uma eternidade passada, Deus esteve s: completo, suficiente, satisfeito
em Si mesmo, de nada necessitando.
       Se um universo, ou anjos, ou seres humanos Lhe fossem necessrios de algum modo, teriam sido chamados  existncia desde toda a eternidade. Ao serem criados,
nada acrescentaram a Deus essencialmente. Ele no muda (Malaquias 3:6), pelo que, essencialmente, a Sua glria no pode ser aumentada nem diminuda.
       Deus no estava sob coao, nem obrigao, nem necessidade alguma de criar. Resolver faz-lo foi um ato puramente soberano de Sua parte, no produzido por
nada alheio a Si prprio; no determinado por nada, seno o Seu prprio beneplcito, j que Ele "faz todas as coisas, segundo o conselho da sua vontade" (Efsios
1:11). O fato de criar foi simplesmente para a manifestao da Sua glria. Ser que algum dos nossos leitores imagina que fomos alm do que nos autorizam as Escrituras?
Ento, o nosso apelo ser para a Lei e o Testemunho: "... levantai-vos, bendizei ao Senhor vosso Deus de eternidade em eternidade; ora bendigam o nome da tua glria,
que est levantado sobre toda a bno e louvor" (Neemias 9:5). Deus no ganha nada, nem sequer com a nossa adorao. Ele no precisava dessa glria externa de Sua
graa, procedente de Seus redimidos, porquanto  suficientemente glorioso em Si mesmo sem ela. Que foi que O moveu a predestinar Seus eleitos para o louvor da glria
de Sua graa? Foi, como nos diz Efsios 1:5, ".... o beneplcito de sua vontade".
       Sabemos que o elevado terreno que estamos pisando  novo e estranho para quase todos os nossos leitores; por esta razo faremos bem em andarmos devagar. Recorramos
de novo s Escrituras. No final de Romanos captulo 11, onde o apstolo conclui sua longa argumentao sobre a salvao pela pura e soberana graa, pergunta ele:
"Por que quem compreendeu o intento do Senhor? Ou quem foi seu conselheiro? Ou quem lhe deu primeiro a ele, para que lhe seja recompensado?" (vers. 34-35). A importncia
disto  que  impossvel submeter o Todo-poderoso a quaisquer obrigaes para com a criatura; Deus nada ganha da nossa parte. "Se fores justo, que lhe dars, ou
que receber da tua mo? A tua impiedade faria mal a outro tal como tu; e a tua justia aproveitaria a um filho do homem" (J 35:7-8), mas certamente no pode afetar
a Deus, que  bem-aventurado em Si mesmo. "...quando fizerdes tudo o que vos for mandado, dizei: Somos  servos  inteis,   porque  fizemos  somente  o  que  devamos
fazer"   (Lucas   17:10)  - nossa  obedincia no d nenhum   proveito a Deus.
       De mais a mais, vamos alm: nosso Senhor Jesus Cristo no acrescentou nada a Deus em Seu Ser essencial e  glria essencial do Seu Ser, nem pelo que fez,
nem pelo que sofreu.  certo, bendita e gloriosamente certo, que Ele nos manifestou a glria de Deus, porm nada acrescentou a Deus. Ele prprio o declara expressamente,
e no h apelao quanto s Suas palavra.; "... no tenho outro bem alm de ti" (Salmo 16:2; na verso usada pelo autor, literalmente: "... a minha bondade no chega
a Ti"). Em toda a sua extenso, este  um Salmo sobre Cristo. A bondade e a justia de Cristo alcanou os Seus santos na terra (Salmo 16:3), mas Deus estava acima
e alm disso tudo, pois unicamente Deus  "o Bendito" (Marcos  14:61, no grego).
        absolutamente certo que Deus  honrado e desonrado pelos homens; no em Seu Ser essencial, mas em Seu carter oficial.  igualmente certo que Deus tem sido
"glorificado" pela criao, pela providncia e pela redeno. No contestamos isso, e no ousamos faz-lo nem por um momento. Mas isso tudo tem que ver com a Sua
glria declarativa e com o nosso reconhecimento dela. Todavia, se assim Lhe aprouvesse, Deus poderia ter continuado s, por toda a eternidade, sem dar a conhecer
a Sua glria a qualquer criatura. Que o fizesse ou no, foi determinado unicamente por Sua prpria vontade. Ele era perfeitamente bem-aventurado em Si mesmo antes
de ser chamada  existncia a primeira criatura.   E,  que  so para Ele todas  as   Suas  criaturas,   mesmo agora? Deixemos outra vez que as Escrituras dem a
resposta: "Eis que as naes so consideradas por ele como a gola dum balde, e como o p mido das balanas: eis que lana por ai as ilhas como a uma coisa pequenssima.
Nem todo o Lbano basta para o fogo, nem os seus animais bastam para holocaustos. Todas as naes so como nada perante ele; ele as considera menos do que nada e
como uma coisa v. A quem pois fareis semelhante a Deus: ou com que o comparareis?"  (Isaas 40:15-18). Esse  o Deus das Escrituras; infelizmente Ele continua sendo
o "Deus desconhecido" (Atos 17:23) para as multides desatentas. "Ele  o que est assentado sobre o globo da terra, cujos moradores so para ele como gafanhotos;
ele  o que estende os cus como cortina, e os desenrola como tenda para neles habitar; o que faz voltar ao nada os prncipes e torna coisa v os juzes da terra"
(Isaas 40.22-23). Quo imensamente diverso  o Deus das Escrituras do "deus" do plpito comum!
       O testemunho do Novo Testamento no tem nenhuma diferena do que vemos no Velho Testamento; como poderia ser, uma vez que ambos tm o mesmo Autor! Ali tambm
lemos: "A qual a seu tempo mostrar o bem-aventurado, o nico poderoso Senhor, Rei dos reis e Senhor dos senhores; aquele que tem, ele s, a imortalidade, e habita
na luz inacessvel; a quem nenhum dos homens viu nem pode ver: ao qual seja honra e poder sempiterno. Amm" (1 Timteo 6:15-16). O Ser que a  descrito deve ser
reverenciado, cultuado, adorado. Ele  solitrio em Sua majestade, nico em Sua excelncia, incomparvel em Suas perfeies. Ele tudo sustenta, mas Ele mesmo  independente
de tudo e de todos. Ele d bens a todos, mas no  enriquecido por ningum.
        Um Deus tal no pode ser encontrado mediante investigao; s pode ser conhecido como e quando revelado ao corao Esprito Santo, por meio da Palavra. 
verdade que a criao manifesta um Criador, e isso com tanta clareza, que os homens ficam "inescusveis" (Romanos 1:20); contudo, ainda temos que dizer com J: "Eis
que isto so apenas as orlas dos seus caminhos; e quo pouco  o que temos ouvido dele! Quem pois entenderia o trovo do seu poder?" (J 26:14). Cremos que o argumento
baseado no desgnio, assim chamado, argumento apresentado por "apologetas" bem intencionados, tem causado mais dano que benefcio, pois tenta baixar o grande Deus
ao nvel do entendimento finito e, com isso, perde de vista a Sua singular excelncia.
       Tem-se feito uma analogia com o selvagem que achou  um relgio e que. depois de um detido exame, inferiu a existncia de um  relojoeiro.  At aqui, tudo bem.
Tentemos ir mais longe, porm. Suponhamos que o selvagem procure formar uma concepo pessoal desse relojoeiro, de seus afetos pessoais, de suas maneira, de sua
disposio,   conhecimentos  e  carter   moral - de tudo aquilo que se junta para compor uma personalidade.  Poderia ele chegar a imaginar ou pensar num homem real
___ o homem que fabricou o relgio - de modo que pudesse dizer: "Eu o conheo"? Fazer perguntas como esta parece ftil, mas estar o eterno e infinito Deus tanto
mais ao alcance da razo humana? Realmente, no. O Deus das Escrituras s pode ser conhecido  por aqueles a quem  Ele prprio Se d a conhecer.
       Tampouco o intelecto pode conhecer a Deus. "Deus  esprito..." (Joo 4:24) e, portanto, s pode ser conhecido espiritualmente. Mas o homem decado no 
espiritual;  carnal, Est morto para tudo que  espiritual. A menos que nasa de novo, que seja trazido sobrenaturalmente da morte para a vida, miraculosamente
transferido das trevas para a luz, no pode sequer ver as coisas de Deus (Joo 3:3), e muito menos entend-las (1 Corntios 2:14. E mister que o Esprito Santo brilhe
em nossos coraes (no no intelecto) para dar-nos o "... conhecimento da glria de Deus, na face de Jesus Cristo" (2 Corntios 4:6). E at mesmo esse conhecimento
espiritual  apenas fragmentrio. A alma regenerada ter de crescer na graa e no conhecimento do Senhor  Jesus (2 Pedro 3:18).
       A nossa principal orao e finalidade como cristos deve ser que possamos "... andar dignamente diante do Senhor, agradando-lhe em tudo, frutificando em toda
a boa obra, e crescendo no conhecimento de Deus" (Colossenses 1:10).


2

OS DECRETOS DE DEUS

       O decreto de Deus  Seu propsito ou determinao com respeito s coisas futuras. Usamos o singular, como o fazem as Escrituras (Romanos 8:28; Efsios 3:11),
porque houve somente um ato de Sua mente infinita acerca das coisas futuras. Entretanto, ns falamos como se houvesse muitos, porque as nossas mentes s conseguem
pensar em ciclos sucessivos, conforme surgem os pensamentos e as ocasies, ou com referncia a vrios objetos do Seu decreto, os quais, sendo muitos, parecem-nos
requerer um propsito diferente para cada um deles. O entendimento infinito de Deus no avana passo a passo, ou de etapa a etapa. "Conhecidas por Deus so todas
as Suas obras desde a eternidade"  (Atos   15:18 verso autorizada KJ,   1611).
       As Escrituras fazem meno dos decretos de Deus em muitas passagens, empregando vrios termos. A palavra "decreto" acha-se no Salmo 2:7, etc. Em Efsios 3:11
lemos a respeito do Seu "eterno propsito". Em Atos 2:23, do "... determinado conselho e prescincia de Deus... ". Em Efsios 1:9, do "... mistrio da sua vontade...
". Em Romanos 8:29 lemos que Ele tambm "predestinou". Em Efsios 1:9, sobre "o seu beneplcito". Os decretos de Deus so denominados Seu "conselho" para significar
que so consumadamente sbios. So chamados Sua "vontade" para mostrar que Ele no estava sob nenhum outro domnio, mas agiu de acordo com o Seu beneplcito. Quando
a norma de conduta de uma pessoa  a sua vontade, geralmente  caprichosa e irrazovel. Mas nos procedimentos divinos a sabedoria est sempre associada com a  "vontade"
e,  por  conseguinte,  os  decretos   de  Deus  so  descritos como sendo "o conselho da sua vontade" (Efsios 1:11).
       Os decretos de Deus se relacionam com todas as coisas futuras, sem exceo: o que quer que seja feito no tempo, foi pr-ordenado antes de iniciar-se o tempo.
O propsito de Deus dizia respeito a todas as coisas, grandes e pequenas, boas e ms, conquanto, com referncia a estas, devemos ter o cuidado de afirmar que, se
bem que Deus  o Ordenador e Controlador do pecado, no  o seu Autor do mesmo modo como  o Autor do bem. O pecado no poderia proceder de um Deus santo por criao
direta e positiva, mas somente por permisso decretatria e ao negativa. O decreto de Deus  to abrangente como o Seu governo, estendendo-se a todas as criaturas
e a todos os eventos.
       Relaciona-se com a nossa vida e com a nossa morte, com o nosso estado no tempo, bem como na eternidade. Como Deus faz todas as coisas segundo o conselho da
Sua vontade, ficamos sabendo por Suas obras em que consiste (ou consistiu) o Seu conselho, assim como julgamos a planta de um arquiteto inspecionando o edifcio
que foi construdo sob sua direo.
       Deus no decretou meramente criar o homem, coloc-lo na terra, e depois deix-lo entregue  sua prpria direo descontrolada; antes, fixou todas as circunstncias
do destino dos indivduos, e todas as particularidades que a histria da raa humana compreende, desde o seu incio at o seu fim. Ele no decretou simplesmente
o estabelecimento de leis gerais para o governo do mundo, mas disps a aplicao dessas leis a todos os casos particulares. Os nossos dias esto contados, como contados
esto os cabelos das nossas cabeas. Podemos entender a extenso dos decretos divinos pelas distribuies providenciais, mediante as quais eles so executados. Os
cuidados de Deus alcanam as criaturas, mais insignificantes e os mais diminutos eventos, como a morte de um pardal e a queda de um fio de cabelo.
       Consideremos agora algumas das propriedades dos decretos divinos.  Em primeiro lugar, so eternos. Supor que sequer um deles foi ditado dentro do tempo, 
supor que ocorreu algum novo acontecimento, surgiu algum evento imprevisto ou alguma combinao imprevista de circunstncias, que induziu o  Altssimo a idealizar
uma nova resoluo. Isto favoreceria a idia de que o conhecimento de Deus  limitado e que Ele vai ficando mais sbio conforme o tempo avana - o que seria uma
horrvel blasfmia. Ningum que creia que o entendimento divino,  infinito, abrangendo o passado, o presente e o futuro, jamais admitir a errnea doutrina de decretos
temporais. Deus no ignora os eventos futuros que sero executados por volies humanos; Ele os predisse em inmeros casos, e a profecia no  nada menos do que
a manifestao da Sua prescincia eterna. As Escrituras afirmam que os crentes foram escolhidos em Cristo antes da fundao do mundo (Efsios 1:4), sim, que foi
ento que a "graa" lhes foi dada (2 Timteo  1:9).
       Em segundo lugar, os decretos de Deus so sbios? A sabedoria  evidenciada na seleo dos melhores fins possveis e dos meios mais apropriados para cumpri-los.
Pelo que conhecemos dos decretos de Deus,  evidente que lhes pertence esta caracterstica. Eles se nos revelam por sua execuo, e toda evidncia de sabedoria nas
obras de Deus  prova da sabedoria do plano segundo o qual eles so realizados. Como declara o salmista, "O Senhor, quo variadas so as tuas obras! Todas as cousas
fizeste com sabedoria..." (Salmo 104:24), Na verdade, s podemos observar uma pequenssima parte delas, mas devemos proceder aqui como fazemos noutros casos, e julgar
o todo pela amostra, o desconhecido pelo conhecido. Aquele que percebe o funcionamento admiravelmente engenhoso das partes de uma mquina que teve oportunidade de 
examinar, ser naturalmente levado a crer que as outras partes so de igual modo admirveis. Da mesma maneira, devemos persuadir nossas mentes quanto s obras de 
Deus quando nos invadem dvidas, e repelir as objees acaso sugeridas por alguma coisa que no podemos conciliar com as nossas noes do que  bom e sbio. Quando 
alcanarmos os limites do finito e contemplarmos os misteriosos domnios do infinito, exclamemos: " profundidade das riquezas, tanto da sabedoria, como da cincia 
de Deus..." (Romanos 11:33).
       Em terceiro lugar, so livres. "Quem guiou o Esprito do Senhor? E que conselheiro o ensinou? Com quem tomou conselho, para que lhe desse entendimento, e 
lhe mostrasse as veredas do juzo e lhe ensinasse sabedoria, e lhe fizesse notrio o caminho - da cincia?" (Isaas 40:13-14). Deus estava sozinho quando elaborou 
os Seus decretos, e as Suas determinaes no foram influenciadas por nenhuma causa externa. Ele era livre para decretar ou no, e para decretar uma coisa e no 
outra.  preciso atribuir esta liberdade quele que  supremo, independente e soberano em tudo que faz.
       Em quarto lugar, so absolutos e incondicionais. Sua execuo no depende de qualquer condio que se pode ou no cumprir. Em cada caso em que Deus tenha 
decretado um fim, decretou tambm todos os  meios  para esse fim.  Aquele que decretou a salvao dos Seus eleitos, tambm decretou produzir f neles, (2 Tessalonicenses 
2:13). "...O meu conselho ser firme, e farei toda a minha vontade" (Isaas 46:10); mas no poderia ser assim, se o Seu conselho dependesse de uma condio que no 
pudesse ser cumprida. No entanto Deus "...faz todas as coisas segundo o conselho da sua vontade" (Efsios 1:11).
       Lado a lado com a imutabilidade e invencibilidade dos decretos de Deus, as Escrituras ensinam claramente que o homem  uma criatura responsvel  e que  tem 
que  responder por suas aes   E se as nossas idias se formam com base na Palavra de Deus   a defesa de um daqueles ensinos no levar  negao do r outro (Reconhecemos 
sem   reserva   que  h   real   dificuldade   em definir onde um termina e o outro comea) Sempre acontece isto quando h uma conjuno do divino e do humano. A 
verdadeira-, orao  ditada pelo Esprito e, no obstante,  tambm o clamor do corao humano. As Escrituras so a Palavra de Deus inspirada mas  foram escritas 
por homens  que eram algo mais que mquinas nas mos do Esprito. Cristo  Deus e homem.  Ele e onisciente, mas crescia em sabedoria (Lucas 2:52).  todo-poderoso 
porm "...   foi  crucificado por fraqueza..."  (2  Corntios 13:4).  o Prncipe da vida e, contudo, morreu. Mistrios profundos so estes, mas a f os recebe sem 
contestao.
       Tem-se assinalado muitas vezes no passado que toda objeo contra os decretos eternos de Deus aplica-se com igual intensidade contra a Sua eterna prescincia. 
"Se Deus decretou ou no todas as coisas que acontecem, aqueles que admitem a existncia de Deus reconhecem que Ele sabe de antemo todas as coisas. Pois bem  evidente 
que se Ele conhece de antemo todas as coisas, Ele as aprova ou no as aprova, isto , ou quer que se realizem, ou no quer. Mas querer que se realizem  decret-las 
(Jonathan Edwards).
       Finalmente, procure-se supor e depois contemplar o oposto. Negar os decretos divinos seria proclamar um mundo, e tudo que se relaciona com ele, regulado somente 
por acaso ou por destino cego. Ento, que paz, que segurana, que consolo haveria para os nossos pobres coraes e mentes? Que refgio haveria para onde fugir na 
hora da necessidade e da provao? Nada disso haveria. No haveria nada menos que as densas trevas e o abjeto horror do atesmo. Oh meu leitor, quo agradecidos 
devemos estar porque tudo est determinado pela infinita sabedoria e bondade de Deus! Quanto louvor e gratido devemos a Ele por Seus decretos! Graas a estes "... 
sabemos que todas as coisas contribuem juntamente para o bem daqueles que amam a Deus, daqueles que so chamados por seu decreto" (Romanos 8.28). Podemos muito bem 
exclamar: "...glria pois a ele eternamente. Amm"  (Romanos  11:36).
       
      
      
      
      
3

A ONISCINCIA DE DEUS
      
       Deus  onisciente. Ele sabe todas as coisas - todas as coisas possveis, todas as coisas reais, todos os eventos, conhece todas as criaturas, todo o passado, 
presente e futuro. Conhece perfeitamente todos os pormenores da vida de todos os seres que h no cu, na terra e no inferno. "... conhece o que est em trevas..." 
(Daniel 2:22). Nada escapa  Sua ateno, nada pode ser escondido dEle, no h nada que Ele esquea! Bem podemos dizer com o salmista: "Tal cincia  para mim maravilhosssima; 
to alta que no a posso atingir" (Salmo 139:6). Seu conhecimento  perfeito. Ele jamais erra, nem muda, nem passa por alto coisa alguma. "E no h criatura alguma 
encoberta diante dele: antes todas as coisas esto nuas e patentes aos olhos daquele com quem temos de tratar" (Hebreus 4:13). Sim, tal  o Deus a quem temos de 
prestar contas!                                                                           
       "Tu conheces o meu assentar e o meu levantar: de longe entendes o meu pensamento. Cercas o meu andar, e o meu deitar; e conheces todos os meus caminhos. Sem 
que haja uma palavra na minha lngua, eis que,  Senhor, tudo conheces" (Salmo 139:2-4), Que maravilhoso Ser  o Deus das Escrituras! Cada um dos Seus gloriosos 
atributos deveria torn-lo honorvel   nossa apreciao. A compreenso da Sua oniscincia deveria inclinai-nos diante dEle em adorao. Contudo, quo pouco meditamos 
nesta perfeio divina! Ser por que o s pensar nela nos enche de inquietao?
       Quo solene  este fato: nada se pode esconder de Deus! :... quanto s cousas que vos sobem ao esprito, eu as conheo" (Ezequiel 11:5). Embora sendo Ele 
invisvel para ns, no o somos para Ele. Nem as trevas da noite, nem as mais espessas cortinas, nem o calabouo mais profundo podem ocultar o pecador dos olhos 
do Onisciente. As rvores do jardim no puderam ocultar os nossos primeiros pais. Nenhum olho humano viu Caim assassinar seu irmo, mas o seu Criador testemunhou 
o crime. Sara pde rir zombeteira, oculta em sua tenda, mas foi ouvida por Jeov. Ac roubou uma cunha de ouro e a escondeu cuidadosamente no solo, mas Deus a trouxe 
 luz. Davi escondeu a sua iniqidade a duras penas, mas pouco depois o Deus que tudo v enviou-lhe um dos Seus servos para dizer-lhe: "Tu s o homem!" E tanto ao 
escritor como ao leitor se diz: "... sabei que o vosso pecado vos h de achar" (Nmeros 32:23).
       Os homens despojariam a Deidade da Sua oniscincia, se pudessem - prova de que "... a inclinao da carne  inimizade contra Deus... " (Romanos 8:7). Os mpios 
odeiam esta perfeio divina com a mesma naturalidade com que so compelidos a reconhec-la. Gostariam que no houvesse nenhuma Testemunha dos seus pecados, nenhum 
Examinador dos seus coraes, nenhum Juiz dos seus feitos. Procuram banir tal Deus dos seus pensamentos: "E no dizem no seu corao que eu me lembro de toda a sua 
maldade..." (Osias 7:2). Como  solene o Salmo 90:8! Boa razo tem todo o que rejeita a Cristo para tremer diante destas palavras: "Diante de ti puseste as nossas 
iniqidades: os nossos pecados ocultos  luz do teu rosto".
       Mas a oniscincia de Deus  uma verdade cheia de consolao para o crente. Em tempos de aflio, ele diz com J: "Mas ele sabe o meu caminho..." (23:10). 
Pode ser profundamente misterioso para mim, inteiramente incompreensvel para os meus amigos, mas "Ele sabe"! Em tempos de fadiga e fraqueza, os crentes podem assegurar-se 
de que Deus " ... conhece a nossa estrutura; lembra-se de que somos p" (Salmo 103:14). Em tempos de dvida e vacilao, eles apelam para este atributo, dizendo: 
"Sonda-me,  Deus, e conhece o meu corao: prova-me, e conhece os meus pensamentos. E v se ha em mim algum caminho mau, e guia-me pelo caminho eterno" (Salmo 139:23-24). 
Em tempos de triste fracasso, quando os nossos coraes foram trados por nossos atos; quando os nossos feitos repudiaram a nossa devoo, e nos  feita a penetrante 
pergunta, "Amas-me?", dizemos, como o fez Pedro: "... Senhor, tu sabes tudo; tu sabes que eu te amo..." (Joo 21:17).
       A temos estmulo para orar. No h motivo para temer que as peties do justo no sero ouvidas, ou que os seus suspiros e lgrimas no sero notados por 
Deus, visto que Ele conhece os pensamentos e as intenes do corao. No h perigo de que um santo seja passado por alto no meio da multido de suplicantes que 
todo dia e toda hora apresentam as suas variadas peties, pois a Mente infinita  capaz de prestar a mesma ateno a multides como se apenas um indivduo estivesse 
procurando obter a Sua ateno. Assim tambm a falta de linguagem apropriada, a incapacidade de dar expresso ao anseio mais profundo da nossa alma, no comprometer 
as nossas oraes, pois, "... ser que antes que clamem, eu responderei: estando eles ainda falando, eu os ouvirei" (Isaas 65:24).
       "Grande  o nosso Senhor, e de grande poder; o seu entendimento  infinito" (Salmo 147:5). Deus no somente sabe tudo que aconteceu no passado em todos os 
rinces dos Seus vastos domnios, e no apenas conhece por completo tudo o que agora est ocorrendo no universo inteiro, mas tambm  perfeito conhecedor de todos 
os acontecimentos, do menor ao maior deles, que havero de suceder nas eras vindouras. O conhecimento que Deus tem do futuro  to completo como o Seu conhecimento 
do passado e do presente, e isso porque o futuro depende totalmente dEle prprio. Se fosse possvel ocorrer alguma coisa sem a ao direta de Deus ou sem a Sua permisso, 
ento aquilo seria independente dEle, e Ele deixaria, de pronto, de ser Supremo.
       Ora, o conhecimento divino do futuro no  mera abstrao, mas  algo inteiramente ligado ao Seu propsito, o qual o acompanha. Deus mesmo planejou tudo que 
h de ser, e o que Ele planejou ter que ser efetuado. Como a Sua Palavra infalvel afirma, "... segundo a sua vontade ele opera com o exrcito do cu e os moradores 
da terra: no h quem possa estorvar a sua mo e lhe diga: Que fazes?" (Daniel 4:35). E de novo: "Muitos propsitos h no corao do homem, mas o conselho do Senhor 
permanecer" (Provrbios 19:21). Como a sabedoria e o poder de Deus so igualmente infinitos, tudo que Deus projetou est absolutamente garantido. (Que os conselhos 
divinos deixem de cumprir-se,  to impossvel como seria para Deus, trs vezes santo, mentir.
       Quanto  realizao dos conselhos de Deus relativos ao futuro, nada  incerto. Nenhum dos Seus decretos  deixado na dependncia das criaturas, nem das causas 
secundrias. No h evento futuro que seja apenas uma possibilidade, isto , coisa que pode ou no vir a acontecer. "Conhecidas por Deus so todas as suas obras 
desde a eternidade" (Atos 15:18). O que quer que Deus tenha decretado  inexoravelmente certo, pois nEle "... no h mudana nem sombra de variao" (Tiago 1:17). 
Portanto, "logo no incio do livro que nos desvenda tantas coisas do futuro, so nos ditas "... as coisas que brevemente devem acontecer..." (Apocalipse   1:1).
       O perfeito conhecimento de Deus  exemplificado e ilustrado em todas as profecias registradas em Sua Palavra. No Velho Testamento acham-se vintenas de predies 
concernentes  histria de Israel, as quais se cumpriram at o mnimo pormenor, sculos depois de terem sido feitas. H tambm vintenas doutras mais, predizendo 
a carreira de Cristo na terra, e tambm se cumpriram literal e perfeitamente. Tais profecias s poderiam ter sido dadas por Algum que conhecesse o fim desde o princpio, 
e cujo conhecimento repousasse na incondicional certeza da realizao de tudo quanto fosse predito..De modo semelhante, o Velho e o Novo Testamento contm muitos 
outros anncios ainda futuros, e estes tambm "tem que cumprir-se" (Lucas 24:44, na verso usada pelo autor),  tem que cumprir-se porque preditos por  Aquele que 
os decretou.
       Contudo, deve-se assinalar que, nem o conhecimento de Deus, nem a Sua cognio do futuro, considerados simplesmente em si mesmos, so causativos. Nada jamais 
aconteceu, nem acontecer, apenas porque Deus o sabia. A causa de todas as coisas  a vontade de Deus. O homem que realmente cr nas Escrituras sabe de antemo que 
as estaes do ano continuaro a seguir-se sucessivamente com infalvel regularidade at o fim da histria da terra (Gnesis 8:22); todavia, no  o seu conhecimento 
a causa da referida sucesso de eventos. Assim, o conhecimento de Deus no nasce das coisas porque elas existem ou existiro, mas porque Ele ordenou que existissem. 
Deus sabia da crucificao do Seu Filho  e  a  predisse muitas  centenas  de  anos   antes   que Ele   Se encarnasse, e isto, porque, segundo o propsito divino, 
Ele era um Cordeiro morto desde a fundao do mundo. Portanto, lemos que  Ele   "...   foi entregue  pelo   determinado   conselho   e   prescincia de Deus..." 
(Atos 2:23).
       Uma ou duas palavras,  guisa de aplicao. O conhecimento infinito de Deus deveria encher-nos de assombro. Quo exaltado  o Senhor, acima do mais sbio 
dos homens! Nenhum de ns sabe o que o dia nos trar, mas todo o futuro est aberto ao Seu olhar onisciente. O conhecimento infinito de Deus deveria encher-nos de 
santa reverncia. Nada do que fazemos, dizemos ou mesmo pensamos, escapa  percepo dAquele a quem teremos que prestar contas: "Os olhos do Senhor esto em todo 
o lugar, contemplando os maus e os bons" (Provrbios 15:3). Que freio seria para ns, se meditssemos nisso mais freqentemente! Em vez de agir descuidadamente, 
diramos com Hagar: "Tu,  Deus, me vs" (Gnesis 16:13) - segundo a verso utilizada pelo autor, A capacidade de compreenso que o conhecimento infinito de Deus 
tem deveria encher o cristo de adorao. Minha vida A inteira esteve aberta ante os Seus olhos desde o princpio! Ele previu todas as minhas quedas, todos os meus 
pecados, todas as minhas reincidncias; todavia, fixou em mim o Seu corao. Como a percepo disto deveria fazer-me prostrar em admirao e adorao diante dEle!
      
      
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A PRESCINCIA DE DEUS
      
       Que controvrsias tm sido engendradas por este assunto no passado! Mas que verdade das Escrituras Sagradas existe que no se tenha tornado em ocasio para 
batalhas teolgicas e eclesisticas? A deidade de Cristo, Seu nascimento virginal, Sua morte expiatria, Seu segundo advento; a justificao do crente, sua santificao, 
sua segurana; a Igreja, sua organizao, oficiais e disciplina; o batismo, a ceia do Senhor, e uma poro doutras preciosas verdades que poderiam ser mencionadas. 
Contudo, as controvrsias sustentadas no fecharam a boca dos fiis servos de Deus; ento, por que deveramos evitar a disputada questo da prescincia de Deus porque, 
com efeito, h alguns que nos acusaro de fomentar contendas? Que outros se envolvam em contendas, se quiserem; nosso dever  dar testemunho segundo a luz a ns 
concedida.
       H duas coisas referentes  prescincia de Deus que muitos ignoram: o significado do termo e o seu escopo bblico. Visto que esta ignorncia  to amplamente 
generalizada,  fcil aos prega dores e mestres impingir perverses deste assunto, at mesmo ao povo de Deus. S h uma salvaguarda contra o erro: estar firme na 
f. Para isso,  preciso fazer devoto e diligente estudo, e receber com singeleza a Palavra de Deus infundida. S ento ficamos fortalecidos contra as investidas 
dos que nos  atacam.  Hoje em dia existem os que fazem mau uso desta verdade, com o fim de desacreditar e negar a absoluta soberania  de Deus na salvao dos pecadores. 
Assim como os seguidores da alta crtica repudiam a divina inspirao das Escrituras e os evolucionistas a obra de Deus na  criao,  alguns mestres pseudo-bblicos 
andam  pervertendo a prescincia de Deus com o fim de pr de lado a Sua incondicional eleio para a vida eterna.
       Quando se expe o solene e bendito tema da pr-ordenao divina, e o da eterna escolha feita por Deus de algumas pessoas para serem amoldadas  imagem do 
Seu  Filho,  o diabo envia algum para argumentar que a eleio se baseia na prescincia de Deus, e esta "prescincia"  interpretada no sentido de que Deus previu 
que alguns seriam mais dceis que outros, que responderiam mais prontamente aos esforos do Esprito e que, visto que Deus sabia que eles creriam, por conseguinte, 
predestinou-os para a salvao. Mas tal declarao  radicalmente errnea. Repudia a verdade da depravao total, pois defende que h algo bom em alguns homens. 
Tira a independncia de Deus, pois faz com que seus decretos se apiem naquilo que Ele descobre na criatura. Vira completamente ao avesso as coisas, porquanto ao 
dizer que Deus previu que certos pecadores creriam em Cristo e, por isso, predestinou-os para a salvao,  o inverso da verdade. As Escrituras afirmam que Deus, 
em Sua soberania, escolheu alguns para serem recipientes de Seus distinguidos favores (Atos 13:48) e portanto, determinou conferir-lhes o dom da f. A falsa teologia 
faz do conhecimento prvio que Deus tem da nossa f a causa da eleio para a salvao, ao passo que a eleio de Deus  a causa, e a nossa f em Cristo, o efeito. 
       Antes de continuar discorrendo sobre este tema, to errneamente interpretado, faamos uma  pausa  para  definir os nossos termos. Que se quer dizer por "prescincia"? 
"Conhecer de antemo",  a pronta resposta de muitos. Mas no devemos tirar concluses precipitadas, nem tampouco apelar para o dicionrio do vernculo como o supremo 
tribunal de recursos, pois no se trata de uma questo de etimologia do termo empregado. O que  preciso  descobrir como a palavra  empregada nas Escrituras. O 
emprego que o Esprito Santo faz de uma expresso sempre define. " seu significado e escopo. Deixar de aplicar esta regra simples tem causado muita confuso e erro. 
Muitssimas pessoas  presumem que j sabem o sentido de certa palavra empregada nas Escrituras, pelo que negligenciam provar as suas pressuposies por meio de uma 
concordncia.  Ampliemos  este ponto.
       Tomemos a palavra "carne". Seu significado parece to bvio, que muitos achariam perda de tempo examinar as suas vrias significaes nas Escrituras. Depressa 
se presume que a palavra  sinnima de corpo fsico e, assim, no se faz pesquisa nenhuma. Mas, de fato, nas Escrituras "carne" muitas vezes inclui muito mais que 
a idia de corpo. Tudo que o termo abrange, s pode ser verificado por uma diligente comparao de cada passagem em que ocorre e pelo estudo de cada contexto, separadamente.
       Tomemos a palavra "mundo". O leitor comum da Bblia imagina que esta palavra equivale a "raa humana" e, conseqentemente, muitas passagens que contm o termo 
so interpretadas erroneamente. Tomemos a palavra "imortalidade". Certamente esta no requer estudo!  bvio que se refere  indestrutibilidade da alma. Ah, meu 
leitor,  uma tolice e um erro fazer qualquer suposio, quando se trata da Palavra de Deus. Se o leitor se der ao trabalho de examinar cuidadosamente cada passagem 
em que se acham "mortal" e "imortal", ver que estas palavras nunca so aplicadas  alma, porm sempre ao corpo.
       Pois bem, o que acabamos de dizer sobre "carne", "mundo", e "imortalidade", aplicasse com igual fora aos termos "conhecer" e "pr-conhecer". Em vez de imaginar 
que estas palavras no significam mais que simples cognio,  preciso ver que as diferentes passagens em que elas ocorrem exigem ponderado e cuidadoso exame. A 
palavra "prescincia" (pr-conhecimento) no se acha no Velho Testamento. Mas "conhecer" (ou "saber") ocorre ali muitas vezes. Quando esse termo  empregado com 
referncia a Deus, com freqncia significa considerar com favor, denotando no mera cognio, mas sim afeio pelo objeto em vista. "... te conheo por nome" (xodo 
33:17). "Rebeldes fostes contra o Senhor desde o dia em que vos conheci" (Deuteronmio 9:24). "Antes que te formasse no ventre te conheci..." (Jeremias 1:5). "... 
constituram prncipes, mas eu no o soube..." (Osias 8:4). "De todas as famlias da terra a vs somente conheci..." (Ams 3:2). Nestas passagens, "conheci" significa 
amei ou designei.
       Assim tambm a palavra "conhecer"  empregada muitas vezes no Novo Testamento no mesmo sentido do Velho Testamento. "E ento lhes direi abertamente: Nunca 
vos conheci..." (Mateus 7:23). "Eu sou o bom Pastor, e conheo as minhas ovelhas, e das minhas sou conhecido" (Joo 10:14). "Mas, se algum ama a Deus, esse  conhecido 
dele" (1 Corntios 8:3). "... o Senhor conhece os que so seus..." (2 Timteo 2:19).
       Pois bem, a palavra "prescincia", como  empregada no Novo Testamento,  menos ambgua que a sua forma simples, "conhecer". Se cada passagem em que ela ocorre 
for estudada cuidadosamente, ver-se- que  discutvel se alguma vez se refere apenas  percepo de eventos que ainda esto por acontecer. O fato  que "prescincia" 
nunca  empregada nas Escrituras em relao a eventos ou aes; em lugar disso, sempre se refere a pessoas. Pessoas  que Deus declara que "de antemo conheceu" 
(pr-conheceu), no as aes dessas pessoas. Para provar isto, citaremos agora cada uma das passagens em que se acha esta expresso ou sua equivalente.
       A primeira  Atos 2:23. Lemos ali: "A este que vos foi entregue pelo determinado conselho e prescincia de Deus, tomando-o vs, o crucificastes e matastes 
pelas mos de injustos". Se se der cuidadosa ateno  terminologia deste versculo, ver-se- que o apstolo no estava falando do conhecimento ..antecipado que 
Deus tinha do ato da crucificao, mas sim da Pessoa crucificada: "A este (Cristo) que vos foi entregue", etc.
       A segunda  Romanos 8:29-30. "Porque os que dantes conheceu tambm os predestinou para serem conformes  imagem de seu Filho; a fim de que ele seja o primognito 
entre muitos irmos. E aos que predestinou a estes tambm chamou", etc. Considere-se bem o pronome aqui empregado. No se refere a algo, mas a pessoas, que ele conheceu 
de antemo. O que se tem em vista no  a submisso da vontade, nem a f .do corao, mas as pessoas mesmas.
       "Deus no rejeitou o seu povo, que antes conheceu..." (Romanos 11:2). Uma vez mais a clara referncia  a pessoas, e somente a pessoas.
       A ltima citao  de 1 Pedro 1:2: "Eleitos segundo a prescincia de Deus Pai..." Quem so "eleitos segundo a prescincia de Deus Pai"? O versculo anterior 
n-lo diz: a referncia  aos "estrangeiros dispersos", isto , a Dispora, a  Disperso, os judeus crentes. Portanto, aqui tambm a referncia  a pessoas, e no 
aos seus atos previstos.
       Ora, em vista destas passagens (e no h outras mais), que base bblica h para algum dizer que Deus "pr-conheceu" os atos de certas pessoas, a saber, o 
seu "arrependimento e f" e que devido a esses atos Ele as elegeu para a  salvao?   A  resposta :   absolutamente nenhuma. As Escrituras nunca falam de arrependimento 
e f como tendo sido previsto ou pr-conhecido por Deus. Na verdade, Ele sabia desde toda a eternidade que certas pessoas se arrependeriam e creriam; entretanto, 
no  a isto que as Escrituras se referem como objeto da "prescincia" de Deus.  Esta palavra se refere uniformemente  ao  pr-conhecimento de pessoas; portanto, 
conservemos "...o modelo das ss palavras.. ." (2 Timteo 1:13).
       Outra coisa para a qual desejamos chamar particularmente a ateno  que as duas primeiras passagens acima citadas mostram com clareza e  ensinam   implicitamente 
que  a   "prescincia" de Deus no  causativa, pelo contrrio, alguma outra realidade est por trs dela e a precede, e essa realidade  o Seu decreto soberano 
Cristo "...   foi entregue pelo  (1) determinado conselho e (2) prescincia de Deus" (Atos 2:23). Seu "conselho" ou decreto foi  a base  da  Sua prescincia.  Assim 
tambm em  Romanos 8-29. Esse versculo comea com a palavra "porque", conjuno que nos leva a examinar o que o precede Imediatamente. E o que diz o versculo anterior? 
"... todas as coisas contribuem juntamente para o bem daqueles... que so chamados por seu decreto". Assim  que a "prescincia" de Deus baseia-se em seu decreto 
(ver Salmo 2:7).
       Deus conhece de  antemo o que ser porque  Ele decretou o que h de ser. Portanto, afirmar que Deus elege pessoas porque as pr-conhece  inverter a ordem 
das Escrituras,  pr o carro na frente dos bois. A verdade  esta:  Ele as  "pr-conhece" porque as  elegeu. Isto retira da criatura a base ou causa da eleio, 
e a coloca na soberana vontade de Deus. Deus Se props eleger certas pessoas, no por haver nelas ou por proceder delas alguma coisa boa, quer concretizada quer 
prevista, mas unicamente por Seu beneplcito. Quanto ao por que Ele escolheu os que escolheu, no sabemos, e s podemos dizer: "Sim,  Pai, porque assim te aprouve" 
(Mateus 11:26). A verdade patente em Romanos 8:29  que Deus, antes da fundao do mundo, elegeu certos pecadores e os destinou para a salvao (2 Tessalonicenses 
2:13). Isto se v com clareza nas palavras finais do versculo: "... os predestinou para serem conformes  imagem de seu Filho", etc. Deus no predestinou aqueles 
que "dantes conheceu" sabendo que eram "conformes", mas. Ao contrrio, aqueles que Ele "dantes conheceu" (isto , que Ele amou e elegeu), "predestinou para serem 
conformes". Sua conformidade a Cristo no  a causa, mas o efeito da prescincia e predestinao divina.
       Deus no elegeu nenhum pecador porque previu que creria, pela razo simples, mas suficiente, de que nenhum pecador jamais cr enquanto Deus no lhe d f; 
exatamente como nenhum homem pode ver antes que Deus lhe d a vista. A vista  dom de Deus, e ver  a conseqncia do uso do Seu dom. Assim tambm a f  dom de 
Deus (Efsios 2:8-9), e crer  a conseqncia do uso deste Seu dom. Se fosse verdade que Deus elegeu alguns para serem salvos porque no devido tempo eles creriam, 
isso tornaria o ato de crer num ato meritrio e, nesse caso, o pecador salvo teria motivo para gloriar-se, o que as Escrituras negam enfaticamente: Efsios 2:9.
       Certamente a Palavra de Deus  bastante clara ao ensinar que crer no  um ato meritrio. Afirma ela que os cristos vieram a crer "pela graa" (Atos 18:27). 
Se, pois, eles vieram a crer "pela graa", absolutamente no h nada de meritrio em "crer", e, se no h nada de meritrio nisso, no poderia ser o motivo ou causa 
que levou Deus a escolh-los. No; a escolha feita por Deus no procede de coisa nenhuma existente em ns, ou que de ns provenha, mas unicamente da Sua soberana 
boa vontade. Mais uma vez, em Romanos 11:5 lemos sobre "... um resto, segundo a eleio". Eis a, suficientemente claro; a eleio mesma  "da graa", e da graa 
 favor imerecido, coisa a que no tnhamos direito nenhum diante de Deus.
       V-se, pois, como  importante para ns, termos idias claras e bblicas sobre a "prescincia" de Deus. Os conceitos errneos sobre ela, inevitavelmente levam 
a idias que desonram em extremo a Deus. A noo popular da prescincia divina  inteiramente inadequada. Deus no somente conheceu o fim desde o princpio, mas 
planejou, fixou, predestinou tudo desde o princpio. E, como a causa est ligada ao efeito, assim o propsito de Deus  o fundamento da Sua prescincia. Se, pois, 
o leitor  um cristo verdadeiro,  porque Deus o escolheu em Cristo antes da fundao do mundo (Efsios 1:4),  e o fez no porque previu que voc creria, mas simplesmente 
porque Lhe agradou faz-lo; voc foi escolhido apesar da tua incredulidade natural. Sendo assim, toda a glria e louvor pertence a Deus somente. Voc no tem base 
nenhuma para arrogar-se crdito algum. Voc creu "pela graa" (Atos 18:27), e isso porque a tua prpria eleio foi "da graa" (Romanos 11:5) 
      




























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A SUPREMACIA DE DEUS
      
       Numa de suas cartas a Erasmo, disse Lutero: "As tuas idias sobre Deus so demasiado humanas". Provavelmente o renomado erudito se ofendeu com aquela censura, 
ainda mais que vinha do filho de um mineiro; no obstante, foi mais que merecida.
       Ns tambm, embora no ocupando nenhuma posio entre os lderes religiosos desta era degenerada, proferimos a mesma acusao contra a maioria dos pregadores 
dos nossos dias, e contra aqueles que, em vez de examinarem pessoalmente as Escrituras, preguiosamente aceitam o ensino de outros. Atualmente se sustentam, em quase 
toda parte, os mais desonrosos e degradantes conceitos do governo e do reino do Todo-poderoso.  Para incontveis milhares, mesmo entre cristos professos, o Deus 
das Escrituras  completamente desconhecido.
       Na antigidade, Deus queixou-se a um Israel apstata: "... pensavas que (eu) era como tu..." (Salmo 50:21). Semelhante a essa ter que ser a Sua acusao 
contra uma cristandade apstata. Os homens imaginam que o que move a Deus so os sentimentos, e no os princpios. Supe que a Sua onipotncia  uma ociosa fico, 
a tal ponto que Satans desbarata os Seus desgnios por todos os lados. Acham que, se Ele formulou algum plano ou propsito, deve ser como o deles, constantemente 
sujeito a mudana. Declaram abertamente que, seja qual for o poder que Ele possui, ter que ser restringido, para que no invada a cidadela do "lvre-arbtrio" humano, 
e o reduza a uma "mquina". Rebaixam a toda eficaz expiao, a qual de fato redimiu a todos aqueles pelos quais foi feita, fazendo dela um mero "remdio" que as 
almas enfermas pelo pecado podem usar se se sentem dispostas a faz-lo; e enfraquecem a invencvel obra do Esprito Santos, reduzindo-a a um "oferecimento" do evangelho 
que os pecadores podem aceitar ou rejeitar a seu bel-prazer.
       O Deus deste sculo vinte no se assemelha mais ao Soberano Supremo das Escrituras Sagradas do que a bruxuleante e fosca chama de uma vela se assemelha  
glria do sol do meio-dia. O Deus de que se fala atualmente no plpito comum, comentado na escola dominical em geral, mencionado na maior parte da literatura religiosa 
da atualidade e pregado em muitas das conferncias bblicas, assim chamadas,  uma fico engendrada pelo homem, uma inveno do sentimentalismo piegas. Os idolatras 
do lado de fora da cristandade fazem "deuses" de madeira e de pedra, enquanto que os milhes de idolatras que existem dentro da cristandade fabricam um Deus extrado 
de suas mentes carnais. Na realidade, no passam de ateus, pois no existe alternativa possvel seno a de um Deus absolutamente supremo, ou nenhum deus. Um Deus 
cuja vontade  impedida, cujos desgnios so frustrados, cujo propsito  derrotado, nada tem que se lhe permita chamar Deidade, e, longe de ser digno objeto de 
culto, s merece desprezo.
       A distncia infinita que separa do todo-poderoso Criador as mais poderosas criaturas  um argumento em favor da supremacia do Deus vivo e verdadeiro. Ele 
 o Oleiro, elas so em Suas mos apenas o barro que pode ser modelado para formar vasos de honra, ou pode ser esmiuado (Salmo 2:9), como Lhe apraz. Se todos os 
habitantes do cu e todos os moradores da terra se juntassem numa rebelio contra Ele, no Lhe causariam perturbao e isso teria ainda menor efeito sobre o Seu 
trono eterno e inexpugnvel do que o efeito da espuma das ondas do Mediterrneo sobre o alto rochedo de Gibraltar. To pueril e impotente . a criatura para afetar 
o Altssimo, que as prprias Escrituras nos dizem que quando os prncipes gentlicos se unirem com Israel apstata para desafiar a Jeov e Seu Ungido, "aquele que 
habita nos cus se rir; o Senhor zombar deles" (Salmo 2:4).
       Muitas passagens das Escrituras afirmam clara e positivamente a absoluta e universal supremacia de Deus. "Tua , Senhor, a magnificncia, e o poder, e a honra, 
e a vitria, e a majestade; porque teu  tudo quanto h nos cus e na terra; teu  Senhor, o reino, e tu te exaltaste sobre todos corno chefe ... e tu dominas sobre 
tudo..." (1 Crnicas 29:11-12). Observe-se, diz "dominas" agora, e no diz "dominars no milnio". "Ah! Senhor, Deus de nossos pais, porventura no s tu Deus nos 
cus? Pois tu s Dominador sobre todos os reinos das gentes, e na tua mo h fora e poder, e no h quem te possa resistir" (nem o prprio diabo) (2 Crnicas 20:6). 
Perante Ele, presidentes e papas, reis e imperadores, so menos que gafanhotos. "Mas, se ele est contra algum, quem ento o desviar? O que a sua alma quiser isso 
far" (J 23:13). Ah, meu leitor, o Deus das Escrituras no  um falso monarca, nem um mero soberano imaginrio, mas Rei dos reis e Senhor dos senhores. "Sei que 
tudo podes, e nenhum dos teus pensamentos pode ser impedido (J 42:2, ou, segundo outro tradutor, "nenhum dos teus propsitos pode ser frustrado". Tudo que designou 
fazer, Ele o faz. Realiza tudo quanto decretou. "Mas o nosso Deus est nos cus: faz tudo o que lhe apraz" (Salmo 115:3). Por que? Porque "no h sabedoria nem inteligncia, 
nem conselho contra o Senhor" (Provrbios 21:30).
       As Escrituras retratam vividamente a supremacia de Deus sobre as obras de Suas mos. Toda matria inanimada e todas as criaturas irracionais executam as ordens 
do seu Criador. Por Sua vontade dividiu-se o Mar Vermelho e suas guas se levantaram e ficaram eretas como paredes (xodo 14); e a terra abriu suas fauces e os rebeldes 
carregados de culpa foram tragados vivos pelo abismo (Nmeros 14).  Sua ordem o sol se deteve (Josu 10), e, noutra ocasio, voltou atrs dez graus do relgio de 
Acaz (Isaas 38:8). Para exemplificar Sua supremacia, mandou corvos levarem alimento a Elias (1  Reis  17), fez o ferro flutuar (2 Reis 6:5), manteve mansos os lees 
quando Daniel foi lanado na cova dessas feras, fez que o fogo no queimasse os trs hebreus que foram arrojados s chamas da fornalha. Assim, "Tudo o que o Senhor 
quis, ele o fez nos cus e na terra, nos mares e em todos os abismos" (Salmo 135:6).
       O perfeito domnio de Deus sobre a  vontade dos homens tambm demonstra a Sua supremacia, Pondere o leitor cuidadosamente sobre xodo 34:24, Exigia-se que 
todos os vares de Israel sassem de casa e fossem a Jerusalm, trs vezes por ano. Viviam entre gente hostil, que os odiava por se terem apropriado das suas terras. 
Ento, o que  que impedia aos cananeus aproveitarem a oportunidade e, durante a ausncia dos homens, matarem as mulheres e as crianas e se apossarem de suas fazendas? 
Se a mo do Onipotente no estivesse at mesmo sobre a vontade dos mpios, como poderia Ele ter feito esta promessa, de que ningum sequer cobiaria suas terras? 
Ah, "Como ribeiros de guas, assim  o corao do rei na mo do Senhor; a tudo quanto quer o inclina" (Provrbios 21:1). Mas, poder-se-ia objetar, no lemos uma 
e outra vez nas Escrituras sobre como os homens desafiavam a Deus, resistiam  Sua vontade, transgrediam os Seus mandamentos, menosprezavam as Suas advertncias 
e faziam ouvidos moucos a todas as Suas exortaes? Certamente que sim; B isto anula tudo que dissemos acima? Se anula, ento  evidente que a Bblia se contradiz, 
Mas isso no pode ser. A objeo se refere simplesmente  iniqidade do homem em rebelio contra a Palavra de Deus, escrita ao passo que mencionamos acima o que 
Deus se props em Si mesmo. A regra de conduta que Ele nos d para seguirmos no  cumprida perfeitamente por nenhum de ns; os Seus "conselhos" eternos so realizados 
nos mnimos detalhes. 
       O Novo Testamento afirma com igual clareza e firmeza a absoluta e  universal  supremacia   de  Deus.   Ali se nos  diz que Deus "...  faz todas as coisas, 
segundo o conselho da sua vontade" (Efsios 1:11). A palavra grega traduzida por "faz" significa "fazer eficazmente".  Por esta razo, lemos:   "Porque  dele por 
ele, e para ele, so todas as coisas; glria pois a ele eternamente. Amm" (Romanos 11:56). Os homens podem jactar-se: de que so agentes livres, com vontade prpria, 
e de que tm liberdade de fazer o que querem, mas as Escrituras dizem aos que se jactam:  ".... vs que dizeis: hoje, ou amanh, iremos a tal cidade, e l passaremos 
um ano, e contrataremos, e ganharemos... em   lugar  do  que deveis dizer:  Se o  Senhor quiser   (Tiago, 5:13-15),
       H aqui, pois, um lugar de repouso para o corao. A nossa vida no , nem produto do destino cego, nem resultado do acaso caprichoso, mas todas as suas minudncias 
foram prescritas desde toda a eternidade e agora so ordenadas por Deus que vive e reina. Nem um fio de cabelo de nossa cabea pode ser tocado, sem a Sua permisso. 
"O corao do homem considera o seu caminho, mas o Senhor lhe dirige os passos" (Provrbios 16:9). Que segurana, que poder, que consolo isso deveria dar ao cristo 
real! "Os meus tempos esto nas tuas mos..." (Salmo 31:15). Portanto digo a mim mesmo: "Descansa no Senhor, e espera nele..." (Salmo 37:7).
       
       
       
       
       
       
       
       
       
       
       
       
       
       
       
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A SOBERANIA DE DEUS
      
       Pode-se definir a soberania de Deus como o exerccio de Sua supremacia, estudada no captulo  anterior.  Sendo infinitamente elevado acima da mais elevada 
criatura, Ele  o Altssimo, o Senhor dos cus e da terra. No sujeito a ningum, no influenciado por nada, absolutamente independente: Deus age como Lhe apraz, 
somente como Lhe apraz, sempre como Lhe apraz. Ningum consegue frustr-lo nem impedi-Lo. Assim, Sua Palavra declara expressamente: "... o meu conselho ser firme, 
e farei toda a minha vontade (Isaas 46:10). "... segundo a sua vontade ele opera com o exrcito do cu e os moradores da terra: no h quem possa estorvar a sua 
mo..." (Daniel 4:35). O sentido da soberania divina  que Deus  Deus de fato, bem como o  de nome, que Ele ocupa o trono do universo dirigindo todas as coisas, 
fazendo todas as coisas "... segundo o conselho da sua vontade" (Efsios 1:11).
       Acertadamente disse o senhor Spurgeon em seu sermo sobre Mateus 20:15; "No h atributo mais consolador para os Seus filhos do que o da soberania de Deus, 
Sob as circunstncias mais adversas, em meio s mais duras provaes, eles crem que Deus na Sua soberania ordenou as suas aflies, que Ele as dirige soberanamente, 
e que na Sua soberania santificar todas elas? Para os filhos de Deus no deveria haver nada por que lutar mais zelosamente do que a doutrina de que o seu Senhor 
domina toda a criao - do reinado de Deus sobre todas as obras de Suas mos - do trono de Deus e Seu direito de ocupar esse trono. Por outro lado, no h doutrina 
mais odiada pelos mundanos, nenhuma verdade de que tenham feito joguete a tal ponto como a grandiosa, estupenda, porm certssima doutrina da soberania do infinito 
Jeov. Os homens se dispem a permitir que Deus esteja em toda parte, menos no Seu trono. Dispem-se a deix-lo em Sua oficina formando mundos e criando estrelas. 
Deixaro que esteja em Seu dispensrio a distribuir esmolas e a conceder benefcios. Permitiro que fique sustentando a terra e mantendo firmes as suas colunas, 
que acenda os luzeiros do cu e governe as irrequietas ondas do oceano; mas quando Deus sobe ao Seu trono. Suas criaturas rangem os dentes, e quando ns proclamamos 
um Deus entronizado, e Seu direito de fazer o que quiser com o que lhe pertence, como tambm de dispor de Suas criaturas como Ele achar melhor, sem consult-las 
sobre a questo, ento os homens nos vaiam, nos amaldioam e se fazem de surdos para no nos ouvir, porquanto Deus no Seu trono no  o Deus que eles amam. Mas  
Deus no Seu trono que muito nos agrada pregar.  em Deus no Seu trono que confiamos".
       "Tudo que o Senhor quis, ele o fez, nos cus e na terra, nos mares e em todos os abismos' (Salmo 135:6). Sim, dileto leitor, tal  o imperial Potentado revelado 
nas Escrituras Sagradas. Sem rival em majestade, ilimitado em poder, imune de tudo quanto Lhe  alheio. Mas estamos vivendo dias em que at mesmo os mais "ortodoxos" 
parecem ter medo de admitir em termos prprios a deidade de Deus. Dizem que acentuar a soberania de Deus exclui a responsabilidade humana quando, na verdade, a responsabilidade 
humana baseia-se na soberania divina e desta   resultado.
       "Mas o nosso Deus est nos cus: faz tudo o que lhe apraz" (Salmo 115:3). Ele escolheu soberanamente colocar cada uma de Suas criaturas na condio que pareceu 
bem aos seus olhos. Deus criou anjos: a alguns, colocou num estado condicional; a outros, deu uma posio imutvel diante dEle (I Timteo 5:21), estabelecendo Cristo 
como sua cabea (Colossenses 2:10). No passemos por alto o fato de que tanto os anjos que pecaram (2 Pedro 2:5) como os que no pecaram, eram Suas criaturas. Contudo, 
Deus previu que aqueles cairiam; no obstante, colocou-os num estado condicional, prprio das criaturas mutveis, e permitiu que cassem, embora no sendo o Autor 
do pecado deles.
       Assim tambm Deus colocou soberanamente Ado no jardim do den num estado condicional, Se Lhe aprouvesse, t-lo-ia colocado num estado incondicional; poderia 
t-lo colocado numa posio to firme como a dos anjos que no caram, posio to segura e imutvel como a dos santos em Cristo. Em vez disso, porm, preferiu coloc-lo 
no den sobre a base da responsabilidade como criatura, de modo que permanecesse ou casse conforme correspondesse ou no  sua responsabilidade - de obedincia 
ao seu Criador. Ado foi feito responsvel a Deus pela lei que o Criador lhe deu. Responsabilidade existia a no jardim, responsabilidade intacta, submetida  prova 
sob as mais favorveis condies.
       Ora, Deus no colocou Ado num estado condicional e de criatura responsvel porque faz-lo era justo. No, era justo porque Deus o fez. Tampouco Deus deu 
existncia s criaturas porque era justo que o fizesse, isto , porque estava obrigado a criar; mas sim era justo porque Ele o fez. Deus  soberano. Sua vontade 
 suprema. Longe de estar sujeito a qualquer lei sobre "direito", Deus  lei para Si prprio, de modo que tudo quanto Ele faz  justo. E ai do rebelde que levante 
questo sobre a Sua soberania! - "Ai daquele que contende com o seu Criador! O caco entre outros cacos de barro! Porventura dir o barro ao que o formou: Que fazes?..." 
(Isaas 45:9).
       Ainda mais, o Senhor Deus colocou soberanamente Israel numa posio condicional. Os captulos 19, 20 e 24 de xodo do provas abundantes e claras disto. Israel 
estava sob um pacto de obras. Deus lhe deu certas leis e fez que as bnos para a nao dependessem da sua observncia dos estatutos divinos. Mas Israel era duro 
de cerviz e incircunciso de corao. Rebelou-se contra Jeov, abandonou Sua Lei, voltou-se para os falsos deuses, apostatou. Em conseqncia, o juzo divino caiu 
sobre Israel e este foi entregue s mos dos seus inimigos, foi disperso por toda a terra, e at hoje permanece sob a pesada severidade do desfavor de Deus.
       Foi Deus que, no exerccio de Sua sublime soberania, colocou Satans e seus anjos, Ado e Israel em suas respectivas posies de responsabilidade. Entretanto, 
longe de acontecer que a Sua soberania retirasse das criaturas a sua responsabilidade, foi pelo exerccio da mesma que Ele as colocou em estado condicional j sob 
as responsabilidades que julgou apropriadas; em virtude de cuja soberania, v-se que Ele  Deus sobre todos. Assim, h perfeita harmonia entre a soberania de Deus 
e a responsabilidade da criatura. Muitos tm dito tolamente que  de todo impossvel mostrar onde termina a soberania divina e comea a responsabilidade da criatura. 
A responsabilidade da criatura comea aqui: na ordenao soberana do Criador. Quanto  Sua soberania, no h e nunca haver nenhum "fim" para ela!
       Vamos dar algumas provas de que a responsabilidade da criatura baseia-se na soberania de Deus. Quantas coisas esto registradas nas Escrituras e que eram 
justas porque Deus as ordenou, e no seriam justas se Ele no as tivesse ordenado! Que direito tinha Ado de "comer" das rvores do jardim? Sem a permisso do seu 
Criador (Gnesis 2:16), Ado teria sido um ladro! Que direito Israel tinha de pedir prata, ouro e vestes aos egpcios (xodo 12:35)? Nenhum, se Jeov no o tivesse 
autorizado (xodo 3:22). Que direito possua Israel de matar tantos cordeiros para sacrifcio? Nenhum, a no ser pelo fato de que Deus ordenou isso. Que direito 
Israel tinha de eliminar todos os cananeus? Nenhum, salvo porque Jeov mandou. Que direito tem o marido de exigir submisso da esposa? Nenhum, se Deus no o tivesse 
estipulado. E poderamos prosseguir nisso mais e mais. A responsabilidade humana est baseada na soberania divina.
       Mais um exemplo do exerccio da absoluta soberania de Deus. Deus colocou os Seus eleitos num estado diferente do de Ado ou Israel. Colocou-os num estado 
incondicional. No pacto eterno Cristo foi designado a Cabea deles, levou sobre Si as suas responsabilidades e cumpriu por eles uma justia perfeita, irrevogvel 
e eterna. Cristo foi colocado num estado condicional, pois Ele estava "debaixo da lei, para ganhar os que estavam debaixo da lei", s que com esta diferena infinita: 
os outros falharam: Ele no falhou e no podia falhar. E quem foi que colocou Cristo naquele estado condicional? O Trino Deus. A vontade soberana O designou, o amor 
soberano O enviou, e a autoridade soberana determinou a Sua obra.
       Certas condies foram postas diante do Mediador. Ele teria que ser feito em semelhana da carne do pecado; teria que engrandecer, e dignificar a lei; teria 
que levar em Seu corpo no madeiro todos os pecados do povo de Deus; teria que fazer plena expiao por eles; teria que suportar o derramamento da ira de Deus; e 
teria que morrer e ser sepultado. Pelo cumprimento dessas condies, era-Lhe oferecida uma recompensa: Isaas 53:10-12. Ele haveria de ser o Primognito entre muitos 
irmos; haveria de ter um povo que participaria de Sua glria. Bendito seja o Seu nome para sempre, pois Ele cumpriu essas condies e, uma vez que as cumpriu, o 
Pai est comprometido, com juramento solene, a preservar sempre e abenoar por toda a eternidade cada um daqueles pelos quais o Seu Filho encarnado fez mediao. 
Desde que Ele tomou o lugar deles" agora eles participam do dEle. Sua justia  deles, Sua posio diante de Deus  deles. Sua vida  deles. No lhes resta sequer 
uma condio para cumprir, nem uma s responsabilidade da qual desincumbir-se para alcanarem a bem-aventurana eterna. "...  com uma s oblao aperfeioou para 
sempre os que so santificados" (Hebreus 10:14).
       Eis a, pois, a soberania de Deus exposta abertamente diante de todos nas diferentes formas pelas quais Ele se relaciona com as Suas criaturas. Alguns dos 
anjos, Ado e Israel foram colocados numa posio condicional, na qual a continuidade da bno dependia da sua obedincia e fidelidade a Deus. Porm, em marcante 
contraste com  eles,  o  "pequeno  rebanho"   (Lucas   12:32) recebeu uma posio incondicional e imutvel no pacto de Deus. nos Seus conselhos e em Seu Filho; a 
bno dele depende do que Cristo fez por ele, "... o fundamento de Deus fica firme, tendo este selo: o Senhor conhece os que so seus..." (2 Timteo 2:19), O fundamento 
sobre o qual esto os eleitos de Deus  perfeito; nada se lhe pode acrescentar, e nada se lhe pode tirar (Eclesiastes 3:14). Eis aqui, pois, a maior e mais elevada 
demonstrao da absoluta soberania de Deus. Verdadeiramente, Ele "... compadece-se de quem quer, e endurece a quem quer" (Romanos 9:18).
      
      
      
      
      
      
      
      
      
      
      
      
      
      
      
      
      
      
      
      
      
      
      
      
      
      
      
      
      
      
      
      
      
      
      
      
      
      
      
      
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A IMUTABILDADE DE DEUS
      
       Esta  uma das perfeies divinas no suficientemente examinadas.  uma das excelncias do Criador que O distinguem de todas as Suas criaturas. Deus  perpetuamente 
o mesmo: no sujeito a mudana nenhuma em Seu ser, em Seus atributos e em Suas determinaes. Da, Deus  comparado a uma rocha (Deuteronmio 32:4, etc.) que permanece 
inamovvel quando todo o oceano circundante est numa condio de contnua oscilao, exatamente assim, conquanto sendo sujeitas a mudana todas as criaturas, Deus 
 imutvel. Visto que Deus no tem princpio nem fim, no pode experimentar mudana.   Ele  eternamente o "... Pai das luzes, em quem no h mudana nem sombra 
de variao" (Tiago  1:17).
       Primeiro, Deus  imutvel em Sua essncia. Sua natureza  e Seu  ser   so  infinitos  e,  assim,  so   sujeitos   a mutao  alguma, jamais houve tempo quando 
Ele no era; jamais vir tempo quando Ele deixar de ser. Deus no evoluiu, nem cresceu, nem melhorou. Tudo que Ele  hoje, sempre foi e sempre ser. "...eu, o Senhor, 
no mudo..." (Malaquias 3:6)  a Sua afirmao categrica. Ele no pode mudar para melhor, pois j  perfeito; e, sendo perfeito, no pode mudar para pior. Completamente 
imune de tudo quanto Lhe  alheio,  impossvel melhoramento ou deteriorao. Ele  perpetuamente o mesmo. Somente Ele pode dizei "...EU SOU O QUE SOU..." (xodo 
3:14). Ele  absolutamente livre da influncia do curso do tempo. No h um vinco sequer nos sobrolhos da eternidade. Portanto, o Seu poder jamais pode diminuir, 
nem Sua glria desvanecer-se.
       Segundo, Deus  imutvel em Seus atributos. Tudo que atributos de Deus eram antes do universo ser chamado  existncia, so precisamente o mesmo agora, e 
permanecero assim para sempre. E isto necessariamente, pois eles so as prprias perfeies, as qualidades essenciais do Seu ser, Semper idem (sempre o mesmo) est 
escrito em cada um deles.  Seu poder  imbatvel, Sua sabedoria no sofre diminuio. Sua santidade  imaculada. Os atributos de Deus no podem sofrer mudana mais 
do que a Deidade pode deixar de existir. Sua veracidade  imutvel, pois a Sua Palavra "...permanece no  cu" (Salmo   119:89).   Seu amor  eterno:  "...com  amor 
eterno  te amei..."   (Jeremias 31:3) e "...como havia amado os seus, que estavam no mundo, amou-os at o fim" (Joo 13:1). Sua misericrdia no cessa, pois,  "eterna" 
(Salmo 100:5).
       Terceiro, Deus  imutvel em Seu conselho. Sua vontade nunca muda. Talvez alguns estejam prestes a objetar que lemos, "Ento arrependeu-se o Senhor de haver 
feito o homem.. . " (Gnesis 6;6). Nossa primeira resposta : ento as Escrituras se contradizem? No, isso no pode ser. Nmeros 23:19.  suficientemente claro; 
"Deus no  homem, para que minta: nem filho do homem, para que se arrependa. .." (Nmeros 23:19). Assim tambm em 1 Samuel 15:29: "... a Fora de Israel no mente 
nem se arrepende: porquanto no  um homem para que se arrependa". A explicao  deveras simples. Quando fala de si mesmo, Deus freqentemente acomoda a Sua linguagem 
s nossas capacidades limitadas. Ele Se descreve a Si mesmo como revestido de membros corporais como olhos, ouvidos, mos, etc. Fala de Si como tendo despertado 
(Salmo 78:65) e como "madrugando" (Jeremias 7:13), apesar de que Ele no cochila nem dorme. Quando Ele estabelece uma mudana em Seu procedimento para com os homens, 
descreve a Sua linha de conduta em termos de arrepender-se.
       Sim, Deus  imutvel em Seu conselho. "Os dons e a vocao de Deus so sem arrependimento" (Romanos 11:29). S pode ser assim, pois, "... se ele est contra 
algum, quem ento o desviar? Q que a sua alma quiser isso far" (To 23:13). "Mudana e declnio vemos em tudo ao redor; 6 Aquele que no muda, permanea contigo 
onde quer que for". O propsito de Deus nunca se altera. Uma destas duas coisas faz com que um homem mude de opinio e inverta os seus planos: falta de previso 
para antecipar tudo, ou ausncia de poder para executar o que planeja. Mas visto que Deus  onisciente assim como  onipotente, nunca Lhe  necessrio rever Seus 
decretos. No, "O conselho do Senhor permanece para sempre: os intentos do seu corao de gerao em gerao" (Salmo 33:11). Portanto, podemos ler sobre "... a imutabilidade 
do seu conselho..." (Hebreus 6:17).
       Aqui podemos perceber a distncia infinita que separa do Criador a criatura mais elevada. Mutabilidade e criatura so termos correlatos, Se a criatura no 
fosse mutvel por natureza, no seria criatura; seria Deus. Por natureza tendemos para o nada, como do nada viemos. Nada detm a nossa aniquilao, exceto a vontade 
e o poder sustentador de Deus. Ningum pode manter-se nem por um momento. Dependemos do Criador para cada sorvo de ar que aspiramos. Alegremente concordamos com 
o salmista em que o Senhor sustenta ".. . com vida a nossa alma..." (Salmo 66:9). A compreenso disto deveria fazer com que nos prostrssemos sob o senso da nossa 
nulidade na presena dAquele em quem "...vivemos, e nos movemos, e existimos...'' (Atos 17:28).
       Como criaturas decadas, no somente somos mutveis, mas tudo em ns  oposto a Deus. Como tais, somos "... estrelas errantes. . , " (Judas 15), fora da nossa 
rbita. "... os mpios so como o mar agitado que no se pode aquietar" (Isaas 57:20). O homem decado  inconstante. As palavras de Jac referentes a Rubem aplicam-se 
com fora total a todos os descendentes de Ado; "Inconstante como a gua..." (Gnesis 49:4), Desta maneira, no  apenas sinal de vida piedosa, mas tambm elemento 
de sabedoria, dar ouvido  injuno: "Deixai-vos pois do homem..."' (Isaas 2:22), No se deve ficar na dependncia de nenhum ser humano. "No confieis em prncipes 
nem em filhos de homens, em quem no h salvao" (Salmo 146:5). Se desobedeo a Deus, mereo ser enganado por meus companheiros de i existncia e decepcionar-me 
com eles. Pessoas que gostam de voc hoje, podero odi-lo amanh. A multido que clamou "Hosana: bendito o rei de Israel que vem em nome do Senhor", depressa passou 
a bradar: "...  tira, tira, crucifica-o (Joo 12:13;  19:15).
       Aqui h firme consolao. No se pode confiar na natureza humana, mas em Deus sim! Por mais inconstante que eu seja7 por mais volveis que os meus amigos 
se mostrem, Deus no muda. Se Ele mudasse como ns, se quisesse uma coisa hoje e outra amanh, e se fosse controlado por capricho, quem poderia confiar nEle? Mas, 
todo o louvor ao Seu glorioso nome, Ele _ sempre o mesmo. Seu propsito  firme, Sua vontade estvel, Sua palavra segura. Aqui, pois, est uma Rocha em que podemos 
firmar os nossos ps, enquanto a poderosa torrente leva tudo de arrasto ao nosso redor. A permanncia do carter de Deus garante o cumprimento de Suas promessas; 
"Porque as montanhas se desviaro e os outeiros tremero; mas a minha benignidade no se desviar de ti, e o concerto da minha paz no mudar, diz o Senhor, que 
se compadece de ti" (Isaas 54:10).
       Aqui h incentivo para a orao, "Que consolo haveria em orar a um deus que, como o camaleo, mudasse de cor a cada momento? Quem elevaria uma petio a um 
prncipe terreno que fosse to mutvel que atenderia a um pedido um dia e o negaria no dia seguinte?" (S. Charnock, 1670), Se algum perguntar: "Mas que utilidade 
h em orar a um Ser. cuja vontade j foi fixada? Respondemos: Porque Ele o exige. Que bnos Deus prometeu sem que ns as busquemos? ".., se pedirmos alguma coisa, 
segundo a sua vontade, ele nos ouve" (1 Joo 5:14), e Ele sempre quis tudo que  para o bem dos Seus filhos. 
       Aqui h terror para os mpios. Os que O desafiam, transgridem Suas leis, no tm interesse em Sua glria, mas vivem como se Ele no existisse, no devem imaginar 
que, quando no dia final clamarem a Ele por misericrdia, Ele mudar a Sua vontade, revogar a Sua Palavra e rescindir as suas ameaas terrveis. No. Ele declarou: 
"Pelo que tambm eu procederei com furor; o meu olho no poupar, nem terei piedade: ainda que me gritem aos ouvidos com grande voz, eu no os ouvirei" (Ezequiel 
8:18). Deus no Se negar a Si prprio para gratificar a luxria deles. Deus  santo, imutavelmente santo. Portanto, Deus odeia o pecado; eternamente odeia o pecado. 
Da a eternidade do castigo de todos quantos morrem em seus pecados.
       "A imutabilidade divina, como a nuvem que se interpunha entre os israelitas e o exrcito egpcio, tem um lado escuro, bem como um lado claro. Ela assegura 
a execuo das Suas ameaas, como tambm a concretizao das Suas promessas; e destri a esperana, carinhosamente acalentada pelos culpados, de que Deus ser todo 
brandura para as Suas frgeis e errantes criaturas, e de que sero tratados de modo muito mais leve do que as declaraes da Sua Palavra nos levam a esperar. Contrapomos 
a estas especulaes enganosas e  presunosas  a  solene  verdade  de  que Deus  imutvel em Sua veracidade e propsito, em Sua fidelidade e justia" (J, Dick, 
1850).
      
      
      
      
      
      
      
      
      
      
      
      
      
      
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A SANTIDADE DE DEUS
      
       "Quem te no temer,  Senhor e no magnificar o teu nome? Porque s tu s santo..." (Apocalipse 15:4). Somente Ele  independente, infinita e imutavelmente 
santo. Muitas vezes Ele  intitulado "O Santo* nas Escrituras. Sim, porque se acha nEle a soma total de todas as excelncias morais, Ele  pureza absoluta, que nem 
mesmo a sombra do pecado mancha. "...Deus  luz..." (1 Joo 1:5). A santidade  a excelncia propriamente dita da natureza divina: o grande Deus  "... glorificado 
em santidade..." (xodo 15:11). Da lermos: "Tu s to puro de olhos, que no podes ver o mal, e a vexao no podes contemplar..." (Habacuque 1:15). Como o poder 
de Deus  o oposto da fraqueza inata da criatura, como a Sua sabedoria est em contraste com o menor defeito de entendimento ou com a menor insensatez, assim a Sua 
santidade  a prpria anttese de toda mancha ou corrupo moral. No passado Deus designou cantores em Israel para "que louvassem a Majestade santa", ou, na verso 
utilizada pelo autor, "que louvassem a beleza da santidade" (2 Crnicas 20:21). "O poder  a mo ou o brao de, Jesus, a  oniscincia os Seus olhos, a misericrdia 
as Suas entranhas, a eternidade a Sua durao, mas a santidade  a Sua beleza" (S. Charnock).  isto Que, acima de tudo. torna-O amorvel aos que foram libertos 
do domnio do pecador.
       Grande nfase  dada a esta perfeio de Deus. "Deus  com mais freqncia intitulado Santo do que Onipotente, e  mais exposto por esta parte da Sua dignidade 
do que por qualquer outra.  fixada ao Seu nome como um (epitto) mais do que qualquer outra, Voc jamais o v expresso,"Seu poderoso nome" ou "Seu sbio nome", 
mas Seu grande nome e, acima de tudo, Seu santo nome. Este  o maior ttulo de honrar neste ltimo transparecem a majestade e a venerabilidade do Seu nome?; (S. 
Charnock). Como nenhuma outra, esta perfeio  celebrada diante do trono do cu, bradando os serafins: "... Santo, Santo, Santo  o Senhor dos Exrcitos..." (Isaas 
6:3), Deus mesmo coloca em distino esta perfeio: "Uma vez jurei por minha santidade que no mentirei a Davi"  (Salmo 89:35). Deus jura por Sua "santidade porque 
esta  uma expresso do Seu ser, expresso mais completa que qualquer outra coisa. Eis porque somos exortados: "Cantai ao Senhor, vs que sois seus santos, e celebrai 
a memria da sua santidade" (Salmo 30:4). "Pode-se dizer que este atributo  transcendental e que, por assim dizer, permeia os demais e lhes d brilho,  o atributo 
dos atributos" (J. Howe, 1670). Assim, lemos sobre "... a formosura do Senhor. ,." (Salmo 27:4), que no  outra que "...  a beleza da santidade.. ." (Salmo  110:3),
       "Visto que esta excelncia parece se colocar acima d todas as outras perfeies de Deus, assim ela constitui a glria destas; como  a glria da Deidade, 
assim  a glria de cada uma das perfeies da Deidade; como o poder de Deus  a energia das Suas perfeies, a Sua santidade  a beleza delas: como todas seriam 
fracas sem a onipotncia divina para sustent-las, seriam todas desgraciosas sem a santidade para adorn-las. Se esta se maculasse, todas as demais perderiam a sua 
honra; seria como se o sol perdesse a sua luz - no mesmo instante perderia seu calor" seu poder, sua virtude geradora e vivificante. Como no cristo a sinceridade 
 o brilho de todas as graas, em Deus a pureza  o esplendor de todos os Seus atributos, Sua justia  santa. Sua sabedoria  santa. Seu brao poderoso  um "brao 
santo" (Salmo 98:1), Sua verdade ou palavra  uma "santa palavra" (Salmo 105:42). Seu nome, que expressa todos os Seus atributos juntos,  "santo"  (Salmo  103:1)" 
(S. Charnock).
       A santidade de Deus se manifesta em Suas obras. "Justo  o Senhor em todos os seus caminhos, e santo em todas as suas obras" (Salmo 145:17), Nada seno o 
que  excelente pode proceder d Ele. A santidade  o padro de todas as Suas aes. No princpio Ele declarou que tudo o que tinha feito '"era muito bom" (Gnesis 
1:31), e no poderia ter feito o que fez se nisso houvesse algo imperfeito ou impuro. O homem foi feito "reto" (Eclesiastes 7:29),  imagem e semelhana do seu Criador. 
Os anjos que caram foram criados santos, pois se nos diz que "... no guardaram o seu principado, mas deixaram a sua prpria habitao..." (Judas 6). Sobre Satans 
est escrito: "Perfeito eras nos teus caminhos, desde o dia em, que foste criado, at que se achou iniqidade em ti" (Ezequiel 28:15).
       A santidade de Deus se manifesta em Sua lei. Essa lei probe o pecado em todas as suas variantes -- nas suas modalidades mais refinadas, e nas mais grosseiras, 
os intentos da mente, como a contaminao do corpo, o desejo secreto como o ato abertamente praticado. Pelo que lemos: "...a lei  santa, e o mandamento santo, justo 
e bom" (Romanos 7:12). Sim, "... o mandamento do Senhor  puro, e alumia os olhos. O temor do Senhor  limpo e permanece eternamente, os juzos do Senhor so verdadeiros 
e justos juntamente" (Salmo 19:8-9).
       A santidade de Deus se manifesta na cruz. De maneira espantosa, e, contudo, a mais solene, a expiao demonstra a santidade infinita de Deus e Seu dio ao 
pecado. Quo odioso para Deus" h de ser o pecado, a ponto de castig-lo at ao limite extremo do seu merecimento, quando o imputou ao Seu Filho! "Nem todos os vasos 
do juzo j derramados ou por derramar sobre o mundo mpio, nem a chama ardente da conscincia do pecador, i nem a sentena irrevogvel pronunciada contra os demnios 
rebeldes, nem o gemido das criaturas condenadas demonstram o dio de Deus ao pecado, como o demonstra a ira de Deus derramada sobre o Seu Filho. Nunca a santidade 
divina parece mais bela e mais amorvel do que na hora em que o semblante do Salvador ficou por demais desfigurado em meio aos estertores da Sua agonia mortal. Ele 
prprio o reconhece no Salmo 22. Quando o Senhor afastou dEle o Seu risonho rosto e Lhe fincou no corao aguda faca, provocando Seu terrvel brado, "Deus meu, Deu 
meu, por que me abandonaste?" (vers. 1). Ele adora esta perfeio - "Tu s santo" (vers. 3) S. Charnock.
       Desde que Deus  santo, Ele odeia todo e qualquer pecado. Ele ama tudo quanto est em conformidade com as Suas leis, e detesta tudo que lhes  contrrio. 
Sua Palavra declara expressamente: "... o perverso  abominao para o Senhor..." (Provrbios 3:32), E ainda: "Abominveis so para o Senhor os pensamentos do mau., 
.." (Provrbios 15:26). Segue-se, pois, que Ele necessariamente tem que punir o pecado. Do mesmo modo como o pecado requer a punio por Deus, exige tambm o Seu 
dio. Deus perdoa muitas vezes o pecador; nunca, porm, perdoa o pecado; e o pecador s  perdoado com base no fato de que Outro levou sobre Si o castigo que lhe 
era devido; sim, pois; "... sem derramamento de sangue no h remisso (Hebreus 9:22). Razo pela qual se nos diz: "...o Senhor toma vingana contra os seus adversrios, 
e guarda a ira contra os seus inimigos" (Naum 1:2). Por um pecado Deus expulsou do den os nossos primeiros pais. Por um pecado toda a posteridade de Co caiu sob 
maldio que permanece sobre ela at o dia de hoje. Por um pecado Moiss foi impedido de entrar em Cana, o servo de Eliseu foi castigado com lepra, Ananias e Safira 
foram eliminados da terra dos viventes.
       Temos aqui prova da divina inspirao das Escrituras. Os no regenerados no crem realmente na santidade de Deus. O conceito que eles tm do carter de Deus 
 inteiramente unilateral. Eles esperam de corao que a Sua misericrdia sobrepuje tudo mais. "... pensavas que era como tu..." (Salmo 50:21)  a acusao que Deus 
lhes faz. Eles pensam somente num "deus" segundo o padro dos seus coraes maus. Da permanecerem eles no caminho de uma exacerbada insensatez. A santidade atribuda 
pelas Escrituras  natureza e ao carter de Deus  tal, que demonstra com clareza a sua origem super-humana. O carter atribudo aos deuses dos antigos e do, paganismo 
moderno  justamente o inverso daquela imaculada pureza que pertence ao Deus verdadeiro. Um Deus inefavelmente santo, que tem a mais intensa averso a todo pecado, 
jamais foi inventado por um dos decados descendentes de Ado. O fato  que nada torna mais manifesta a. terrvel depravao do corao do homem e a sua inimizade 
contra o Deus vivo, do que expor diante dele Aquele Ser nico que  infinita e imutavelmente santo. A idia que o homem faz de pecado limita-se praticamente ao que 
o mundo chama de "crime''. Tudo que fica aqum disso pode ser abrandado como "defeitos", "'enganos", "'fraquezas" etc. E mesmo quando se admite a existncia do pecado* 
apresentam-se escusas e atenuantes.
       "O "deus" que a imensa maioria dos cristos professos "ama1'  visto como algum muito parecido com um ancio indulgente, que pessoalmente no tem prazer 
nas loucuras, mas tolerantemente fecha os olhos para as "indiscries" da mocidade. Mas a Palavra diz: "... aborreces a iodos os que praticam a maldade" (Salmo 5:5). 
E mais: "Deus  um juiz justo, um Deus que se ira todos os dias" (Salmo 7:11). Mas os homens se recusam a dar crdito a este Deus e rangem os dentes quando o Seu 
dio ao pecado lhes  enftica e fielmente apresentado. No, como o homem preso ao pecado jamais teria criado o lago de fogo no qual seria atormentado para todo 
o sempre, muito menos haveria a probabilidade dele inventar um Deus santo.
       Sendo que Deus  santo, a aceitao da parte dEle, com base nas aes das criaturas,  completamente impossvel. Uma criatura cada pode mais facilmente criar 
um mundo, do que produzir algo capaz de receber aprovao dAquele que  pureza infinita. Podem as trevas morar com a luz? Pode o Ser imaculado sentir prazer com 
o "trapo da imundcia"? (Isaas 64:6) O melhor que o homem pecador pode produzir vem manchado. Uma rvore contaminada no pode dar bom fruto. Deus se negaria a Si 
prprio, envileceria as Suas perfeies, se tivesse por justo e santo aquilo que no o  em si mesmo; e nada  santo, desde que tenha a mnima mancha do que seja 
contrrio  natureza de Deus. Mas, bendito seja o Seu nome, pois, aquilo que a Sua santidade exigiu, a Sua graa supriu em Cristo Jesus,nosso Senhor! Todo pobre 
pecador que correu para Ele em busca de "refgio, foi e permanece aceito "no Amado" (Efsios 1:6). Aleluia!
       Posto que Deus  santo requer-se de ns que nos aproximemos dEle com a mxima reverncia. "Deus deve ser em extremo tremendo na assemblia  dos santos, e 
grandemente  reverenciado por todos os que o cercam'" (Salmo 89:7), Portanto, "Exaltai ao Senhor nosso Deus, e prostrai-vos diante do escabelo de seus ps, porque 
ele  santo" (Salmo 99:5). Sim, "diante do escabelo dos seus ps", na postura da mais profunda humildade, prostrai-vos. Quando Moiss  ia   aproximar-se   da  sara 
ardente,  disse  Deus: "., . tira os teus sapatos de teus ps... " (xodo 3:5),  preciso servi-lO "com temor" (Salmo 2:11). A exigncia que Deus fez a Israel foi: 
"... serei santificado naqueles que se cheguem a mim, e serei glorificado diante  de  todo o  povo..."   (Levtico   10:3), Quanto mais tomados de temor ficarmos 
por Sua inefvel santidade, mais aceitvel ser o nosso acesso a Ele.
       Visto que Deus  santo, devemos querer amoldar-nos a Ele. Seu mandamento : "...sede santos, porque eu sou santo"  (1 Pedro 1:16). No somos obrigados a ser 
onipotentes ou oniscientes como Deus , mas temos  que ser santos, e isto em  toda a nossa "... maneira de viver" (1 Pedro 1:15). "Esta  a maneira primordial de 
honrar a Deus. Glorificamos a Deus pelas atitudes de elevada admirao, pelas expresses eloqentes, pelos pomposos servios de adorao, mas no tanto como quando 
aspiramos a conversar com Ele com esprito livre de mcula, e a viver para Ele vivendo como Ele vive" (S. Charnock). Ento, como s Deus  a origem e a fonte da 
santidade, busquemos zelosamente dEIe a santidade; seja a nossa orao diria no sentido de que Ele nos "...  santifique em tudo ... "; e todo o nosso  "esprito, 
e alma, e corpo, sejam plenamente conservados irrepreensveis para a vinda de nosso Senhor Jesus Cristo" (I  Tessalonicenses  5:23),
      
      
      
      
      
      
      
      
      
      
      
      
      
      
      
      
      
      
      
9

O PODER DE DEUS
      
       No poderemos ter correto conceito de Deus, se no pensarmos nEle como onipotente, igualmente como Onisciente. Quem no pode fazer o que quer e no pode realizar 
o que lhe agrada, no pode ser Deus. Como Deus tem uma vontade para decidir o que julga bom, assim tem poder para executar a Sua vontade. "O poder de Deus  aquela 
capacidade e fora pela qual Ele pode realizar tudo que Lhe agrade, tudo que a Sua sabedoria dirija, e tudo que a infinita pureza da Sua vontade resolva. "... como 
a santidade  a beleza de todos os atributos de Deus, assim o poder  aquilo que d vida e movimento a todas as perfeies da natureza divina. Como seriam vos os 
conselhos eternos, se o poder no interviesse para execut-los! Sem o poder, a Sua misericrdia seria apenas uma dbil piedade, as Suas promessas um som vazio, as 
Sua ameaas mero espantalho. O poder de Deus  como Ele mesmo: infinito, eterno, incompreensvel; no" pode ser refreado, nem restringido, nem frustrado pela criatura" 
(S. Charnock).
       "Uma coisa disse Deus, duas vezes a ouvi: que o poder pertence a Deus" (Salmo 62:11). "Uma coisa disse Deus", ou segundo a verso autorizada, KJ, 1611, "Uma 
vez falou Deus": nada mais  necessrio! Passaro os cus e a terra, porm a Sua palavra permanece para sempre. "Uma vez falou Deus": como Lhe fica bem a Sua majestade 
divina! Ns, pobres mortais, podemos falar muitas vezes e, contudo, sem sermos ouvidos. Ele fala somente uma vez, e o trovo do Seu poder  ouvido em mil montanhas. 
"E o Senhor trovejou nos cus, o Altssimo levantou a sua voz; e havia saraiva e brasas de fogo. Despediu as suas setas, e os espalhou: multiplicou ratos, e os perturbou, 
Ento foram vistas as profundezas das guas, e foram descobertos os fundamentos do mundo; pela tua repreenso, Senhor, ao soprar das tuas narinas"  (Salmo  18:13-15).
       "Uma vez falou Deus": vede a Sua imutvel autoridade. "Pois quem no cu se pode igualar ao Senhor? Quem  semelhante ao Senhor entre os filhos dos poderosos?" 
(Salmo 89:6). "E todos os moradores da terra so reputados em nada; e segundo a sua vontade ele opera com o exrcito do cu e os moradores da terra: no h quem 
possa estorvar a sua mo, e lhe diga: Que fazes?" (Daniel 4:35), Esta realidade foi amplamente descortinada quando  Deus Se encarnou e tabernaculou entre os homens. 
Ao leproso Ele disse: "...s limpo. E logo ficou purificado da lepra" (Mateus 8:3). A um que jazia no tmulo j fazia quatro dias, Ele bradou: "... Lzaro, sai para 
fora. E o defunto saiu..." (Joo 11:43-44). Os ventos tempestuosos e as ondas bravias se aquietaram a uma s palavra dEle, Uma legio de demnios no pde resistir 
 Sua ordem repassada de autoridade.
       "O poder pertence a Deus", e somente a Ele. Nem uma s criatura, no universo inteiro, tem sequer um tomo de poder, salvo o que  delegado por Deus. Mas o 
poder de Deus no  adquirido, nem depende do reconhecimento de nenhuma outra autoridade. Pertence a Ele inerentemente. "O poder de Deus  como Ele mesmo, auto-existente, 
auto-sustentado. O mais poderoso dos homens no pode acrescentar sequer uma sombra de poder ao Onipotente. Ele no se firma sobre nenhum trono reforado; nem se 
apia em nenhum brao ajudador. Sua corte no  mantida por Seus cortesos, nem toma Ele emprestado das Suas criaturas o Seu esplendor. Ele prprio  a grande fonte 
central e o originador de toda energia" (C. H. Spurgeon). Toda a criao d testemunho, no s do grande poder de Deus, mas tambm da Sua inteira independncia de 
todas as coisas criadas. Oua o Seu prprio desafio: "Onde estavas tu, quando eu fundava a terra? Faze-mo saber, se tens inteligncia, Quem lhe ps as medidas, se 
tu o sabes? Ou quem estendeu sobre ela o cordel? Sobre que esto fundadas as suas bases, ou quem assentou a sua pedra de esquina?" (J 38:4-6). Quo completamente 
o orgulho do homem  lanado ao p!
       "Poder  usado tambm como um nome de Deus, "...o Filho do homem assentado  direita do poder de Deus, e vindo sobre as nuvens do cu*' (Marcos 14:62), isto 
,  destra de. Deus. Deus e poder so to inseparveis que so recprocos. Como a Sua essncia  imensa, no pode ser confinada a um lugar; como  eterna, no pode 
ser medida no tempo; assim a Sua essncia  todo-poderosa, no sofrendo limite para a ao" (S. Charnock). "Eis que isto so apenas as orlas dos seus caminhos; e 
quo pouco  o que temos ouvido dele! Quem pois entenderia o trovo do seu  poder?"  (J  26:14). Quem   capaz de  contar  todos  os monumentos do Seu poder? Mesmo 
aquilo que  demonstrado do Seu poder na criao visvel est inteiramente fora da nossa capacidade de compreenso, e menos ainda podemos conceber da onipotncia 
propriamente dita. H infinitamente mais poder abrigado na natureza de Deus do que o expresso em todas as Suas obras.
       "Partes dos Seus caminhos" contemplamos na criao, na providncia, na redeno, mas apenas uma "pequena parte" do Seu poder se v nessas obras. Isto nos 
 exposto extraordinariamente em Habacuque 3:4: "... e ali estava o esconderijo da sua fora". Dificilmente se pode imaginar algo mais grandiloqente do que as figuras 
deste captulo todo, no entanto nele nada supera a nobreza desta declarao. O profeta (numa viso) viu o poderoso Deus espalhando os outeiros e abatendo os montes, 
o que se julgaria espantosa demonstrao de fora. Nada disso, diz o nosso versculo; isso  mais o ocultamento do que a exibio do Seu poder. Que se quer dizer? 
Isto:  to inconcebvel" to imenso, to incontrolvel o poder da Deidade, que as terrveis convulses que Ele opera na natureza escondem mais do que revelam do 
Seu poder infinito!
        coisa bela juntar as seguintes passagens: "O que s estende os cus, e anda sobre os altos do mar" (J 9:8), que expressa o indomvel poder de Deus. "...Ele 
passeia pelo circuito dos cus" (J 22:14), que fala da imensidade da Sua presena. "...anda sobre as asas do vento" (Salmo 104:3), que expressa a espantosa rapidez 
das Suas operaes. Esta ltima expresso  deveras notvel, No  que "Ele voa" ou'"corre", mas que Ele "anda", e isso, nas "asas do vento" - sobre o mais impetuoso 
dos elementos, impelido com o mximo furor, e varrendo tudo com quase inconcebvel velocidade, todavia sob os Seus ps, debaixo do Seu controle perfeito!
       Consideremos agora o poder de Deus na criao. "Teus so os cus, e tua  a terra; o mundo e a sua plenitude tu os fundaste. O norte e o sul tu os criaste..." 
(Salmo 89:11-12). Antes de poder trabalhar, o homem precisa ter ferramentas e material, mas Deus comeou com nada, e s por Sua palavra fez do nada todas as coisas. 
O intelecto no pode captar isto. Deus "... falou, e tudo se fez, mandou, e logo tudo apareceu" (Salmo 33:9). A matria primeva ouviu a Sua voz. "Disse Deus: Haja... 
e assim foi" (Gnesis 1). Bem podemos exclamar: "Tu tens um brao poderoso; forte  a tua mo, e elevada a tua destra" (Salmo 89:13).
       Quem, que olha para cima, para o cu da meia-noite e, com os olhos da razo, contempla as suas maravilhas em movimento; quem pode abster-se de indagar: do 
que foram feitos estes poderosos astros?  espantoso diz-lo, foram produzidos sem material nenhum. Brotaram do vazio. A majestosa estrutura da natureza universal 
emergiu do nada. Que instrumentos foram usados pelo supremo Arquiteto para modelar as partes com tio refinada elegncia e aplicar to belo polimento ao todo? Como 
ter sido feita a juno de tudo numa estrutura primorosamente proporcionada e com to magnfico acabamento? Um puro e simples fiat realizou tudo. Haja estas coisas, 
disse Deus. Nada acrescentou; e logo o edifcio maravilhoso se ergueu, adornado com todo tipo de beleza, pondo  mostra inumerveis perfeies, e proclamando em 
meio a extasiados serafins o louvor do seu grande Criador. "Pela palavra do Senhor foram feitos os cus, e todo o exrcito deles pelo esprito da sua boca" (Salmo 
33:6)" (James Hervey,  1789),
       Considere-se o poder de Deus na preservao. Nenhuma criatura tem poder para preservar-se a si mesma. "Porventura sobe o junco sem lodo? Ou cresce a espadana 
sem gua?" (Jo 8:11). Tanto o homem como o animal pereceriam, se no houvesse erva para alimento, e a erva murcharia e morreria, se o solo no fosse refrescado com 
chuvas frutferas. Portanto, Deus  denominado o Preservador dos "homens e os animais" (Salmo 36:6), Ele sustenta "... todas as coisas, pela palavra do seu poder..." 
(Hebreus 1:3). Que maravilha de poder divino  a vida pr-natal de todo ser humano! Que uma criana possa sequer viver, e por tantos meses, num alojamento apertado 
e estranho assim,  inexplicvel sem o poder de Deus. Verdadeiramente, Ele "... sustenta com vida a nossa alma..." (Salmo 65:9).
       A preservao da terra, guardando-a da violncia dos mares  outro claro exemplo do poder de Deus. Como  que  aqueles elementos em fria ficaram encerrados 
dentro daqueles limites em que primeiro se alojaram, permanecendo em suas baas e canais sem inundar a terra e sem fazer em pedaos a parte mais baixa da criao? 
A condio natural da gua  ficar acima da terra, por ser mais leve, e imediatamente abaixo do ar, por ser mais pesada. Quem pe restries  qualidade natural 
da gua? O homem certamente que no, e no tem poderes para tanto.  unicamente o fiat do Criador da gua que a refreia. "E disse: At aqui virs, e no mais adiante, 
e aqui se quebraro as tuas ondas empoladas" (J 38:11). Que altaneiro monumento ao poder de Deus  a preservao do mundo!
       Considere-se o poder de Deus no governo. Tome-se a restrio que Ele impe  ruindade de Satans, " .., o diabo, vosso adversrio, anda em derredor, bramando 
como leo, buscando a quem possa tragar" (1 Pedro 5:8). Satans est cheio de dio a Deus, e de diablica inimizade contra os homens, particularmente contra os santos. 
Aquele que invejou a Ado no paraso, no quer que sintamos o prazer de usufruirmos nenhuma das bnos de Deus. Se ele pudesse fazer o que deseja, trataria todos 
os homens como tratou J: enviaria fogo do cu sobre os frutos da terra, destruindo o gado" faria vendavais derribarem nossas casas, e cobriria de chagas os nossos 
corpos. Mas, embora mal percebido pelos homens, Deus o refreia em grande medida, impede-o de levar a cabo os seus maus desgnios, e lhe impe limites dentro das 
Suas ordenaes.
       Assim tambm Deus restringe a corrupo natural dos homens. Ele suporta suficientes erupes do pecado para mostrar que terrveis estragos tm sido causados 
pela apostasia do homem, que rompeu com o seu Criador, mas quem pode conceber a que medonho extremo os homens iriam se Deus retirasse a Sua mo repressora? A boca 
dos mpios "... est cheia de maldio e amargura. Os seus ps so ligeiros para derramar sangue" (Romanos 3:14-15). Esta  a natureza de cada um dos descendentes 
de Ado. Ento, que desenfreada licenciosidade e obstinada loucura triunfariam no mundo, se o poder de Deus no se interpusesse para fechar as comportas do mal! 
Ver Salmo 93:3-4.
       Considere o poder de Deus no juzo. Quando Ele fere, ningum Lhe pode resistir: ver Ezequiel 22:14, Quo terrivelmente isso foi exemplificado no Dilvio! 
Deus abriu as janelas do cu e rompeu as grandes fontes do abismo, e (excetuando-se os que estavam na arca) a raa humana inteira, impotente diante do furor da Sua 
ira, foi tragada. Uma chuva de fogo e enxofre caiu do cu, e as cidades da plancie foram exterminadas. O Fara e todos os seus exrcitos nada puderam, quando Deus 
soprou sobre eles no Mar Vermelho. Que palavra terrificante, a de Romanos 9:22: "E que direis se Deus, querendo mostrar a sua ira, e dar a conhecer o seu poder, 
suportou com muita pacincia os vasos da ira, preparados para a perdio". Deus manifestar o Seu tremendo poder sobre os reprovados, no apenas encarcerando-os 
na Geena, mas preservando sobrenaturalmente os seus corpos como tambm as suas almas em meio s chamas eternas do Lago de Fogo,
       Bem que deveriam tremer todos, diante de um Deus tal! Tratar desconsideradamente Aquele que pode esmagar-nos mais facilmente do que ns a uma traa,  suicdio. 
Desafiar abertamente Aquele que esta revestido de onipotncia, que pode rasgar-nos em pedaos ou lanar-nos no inferno na hora que quiser,  o cmulo da insanidade. 
Para reduzi-lo ao seu plano mnimo,  simplesmente parte da sabedoria dar ouvidos  Sua ordem: "Beijai o Filho, para que se no ire, e pereais no caminho, quando 
em breve se inflamar a sua ira..."  (Salmo 2:12),
       Bem que a alma iluminada deve adorar um Deus tal! As estupendas e infinitas perfeies de um Ser como Deus requerem fervoroso culto. Se homens de poder e 
renome reclamam a admirao do mundo, quanto mais deve o poder do Onipotente encher-nos de assombro e mover-nos a prestar-Lhe homenagem. "O Senhor, quem  como tu 
entre os deuses? Quem  como tu glorificado em santidade, terrvel em louvores, obrando maravilhas?" (xodo 15:11).
       Bem que o santo pode confiar num Deus tal! Ele  digno de implcita confiana. Nada Lhe  demasiado difcil, Se Deus fosse limitado em poder e fora, a sim, 
poderamos ficar desesperados.
       Mas, vendo que Ele Se reveste de onipotncia, nenhuma orao  to difcil que Ele no possa responder, nenhuma necessidade  to grande que Ele no possa 
suprir, nenhuma clera  to forte que Ele no possa subjugar, nenhuma tentao  to poderosa que Ele no nos possa livrar dela, nenhuma misria  to profunda 
que Ele no possa aliviar, "... o Senhor  a fora da minha vida; de quem me recearei?" (Salmo 27:1). "Ora, quele que  poderoso para fazer tudo muito mais abundantemente 
alm daquilo que pedimos ou pensamos, segundo o poder que em ns opera, a esse glria na igreja, por Jesus Cristo, em todas as geraes, para todo o sempre. Amm" 
(Efsios 3:20-21),
      
      
      
      
      
      
      
      
      
      
      
      
      
      
      
      
      
      
      
      
      
      
      
      
      
      
      
      
      
      
      
      
      
      
      
      
      
      
      
      
      
10

A FIDELIDADE DE DEUS
       
       A infidelidade  um dos pecados mais proeminente nestes maus dias. Com rarssimas excees, a palavra de um homem no  mais a sua fiana, nos negcios deste 
mundo. No mundo social, a infidelidade conjugai ocorre por todo lado, sendo que os laos matrimoniais so desfeitos com a mesma facilidade com que uma roupa velha 
 rejeitada. Na esfera eclesistica, milhares que se comprometeram solenemente a pregar a verdade, sem nenhum escrpulo a negam e a atacam. Nem o autor, como tampouco 
o leitor, podem arrogar-se completa imunidade deste pecado terrvel: de quantas maneiras temos sido infiis a Cristo, e  luz e aos privilgios que Deus nos confiou1. 
Como  animador ento, que indizvel beno  erguer os olhos acima desta ruinosa cena e contemplar Aquele que, s Ele,  fiel, fiel em tudo, fiel o tempo todo.
       "Sabers, pois, que o Senhor teu Deus  Deus, o Deus fiel..." {Deuteronmio 7:9). Esta qualidade  essencial ao Seu ser; sem ela Ele no seria Deus. Pois, 
ser Deus infiel seria agir contrariamente  Sua natureza, o que  impossvel. "Se formos infiis, ele permanece fiel: no pode negar-se a si mesmo" (2 Timteo 2:15). 
A fidelidade  uma das gloriosas perfeies do Seu ser,  como se Ele estivesse vestido com esta perfeio; "0 Senhor, Deus dos Exrcitos, quem  forte como tu, 
Senhor, com a tua fidelidade ao redor de ri?!" (Salmo 89;8). Assim tambm, quando Deus Se encarnou, foi dito: "E a justia ser o cinto dos seus lombos, e a verdade 
o cinto dos seus rins" (Isaas 11:5).
       Que palavra, a do Salmo 36:5 - "A tua misericrdia, Senhor, est nos cus, e a tua fidelidade chega at s mais excelsas nuvens". Muito acima de toda compreenso 
finita est a imutvel fidelidade de Deus. Tudo que h acerca de Deus  grande, vasto, incomparvel. Ele nunca esquece, nunca falha, nunca vacila, nunca deixa de 
cumprir a Sua palavra, O Senhor Se mantm estritamente apegado a cada declarao de promessa ou profecia, faz valer cada compromisso de aliana ou de ameaa, pois 
"Deus no  homem, para que minta; nem filho do homem, para que se arrependa: porventura diria ele, e no o faria? Ou falaria, e no o confirmaria? (Nmeros 23:19). 
Da o crente exclama; "...as suas misericrdias no tm fim, Novas so cada manh; grande  a tua fidelidade" (Lamentaes 3:22-23).
       H nas Escrituras numerosas ilustraes da fidelidade de Deus. H mais de quatro mil anos Ele disse: "Enquanto a terra durar, sementeira e sega, e frio e 
calor, e vero e inverno, e dia e noite, no cessaro" (Gnesis 8;22). Cada novo ano d-nos um novo testemunho de que Deus cumpre esta promessa. Em Gnesis 15 vemos 
que Jeov declarou a Abrao; "...peregrina ser a tua semente em terra que no ser tua, e servi-los-o ... E a quarta gerao tornara para c" (versculos 13-16). 
Os sculos percorreram o seu curso fatigante. Os descendentes de Abrao gemiam entre os fornos de tijolos do Egito. Deus esquecera a Sua promessa? Certamente que 
no. Leia xodo 12:41: "E aconteceu que, passados os quatrocentos e trinta anos, naquele mesmo dia, todos os exrcitos do Senhor saram da terra do Egito". Por meio 
de Isaas o Senhor declarou: "...eis que uma virgem conceber, e dar  luz um filho, e ser o seu nome Emanuel" (7:14). De novo sculos se passaram, mas, "vindo 
a plenitude dos tempos,
       Deus enviou seu Filho, nascido de mulher, nascido sob a lei" (Gaiatas 4:4).
       Deus  verdadeiro. Sua Palavra de promessa  certa. Em todas as Suas relaes com o Seu povo, Deus  fieL Pode-se confiar nEle, com segurana, Nunca houve 
algum que tivesse confiado nEle em vo. Vemos esta preciosa verdade expressa em quase toda parte nas Escrituras, pois o Seu povo precisa saber que a fidelidade 
 uma parte essencial do carter divino. Esta  a base da nossa confiana nEle, Mas, uma coisa  aceitar a fidelidade de Deus como uma verdade divina, e outra coisa, 
muito diferente,  agir com base nisso. Deus "nos tem dado grandssimas e preciosas promessas", mas ns contamos realmente com o seu cumprimento por Deus? Esperamos 
de fato que Ele vai fazer por ns tudo que disse que far? Descansamos com implcita segurana nestas palavras: " ... fiel  o que prometeu" (Hebreus 10:23)?
       H ocasies na vida de todos em que no  fcil, nem mesmo para 05 cristos, crer que Deus  fiel. Nossa f  provada dolorosamente, nossos olhos ficam toldados 
pelas lgrimas, e no conseguimos mais encontrar o rumo dos baluartes do Seu amor. Os nossos ouvidos se distraem com os rudos do mundo, arruinados pelos sussurros 
atesticos de Satans e no conseguimos mais ouvir a doce entonao da voz mansa e delicada do Senhor. Sonhos alimentados foram frustrados, amigos em quem confivamos 
falharam conosco, um falso irmo ou irm em Cristo nos traiu. Vacilamos. Procuramos ser fiis a Deus, e agora uma trevosa nuvem O esconde de ns. Achamos difcil, 
impossvel mesmo,  razo carnal harmonizar a Sua sombria providncia com as promessas da Sua graa, Ah, alma titubeante, companheiro de peregrinao provado com 
tanto rigor, procure graa para ouvir Isaas 50:10; "Quem h entre vs que tema. a,Jeov, e oua a voz do seu servo? Quando andar em trevas, e no tiver luz nenhuma, 
confie no nome do Senhor, e firme-se sobre o seu Deus".
       Quando voc for tentado a duvidar da fidelidade de Deus, brade: "Para trs de mim, Satans". Ainda que voc no possa harmonizar os misteriosos procedimentos 
de Deus com as  Suas declaraes de amor, confie nEIe e aguarde mais luz, Na hora dEIe, certa e boa, Ele far com que voc o veja com clareza, "...o que eu fao 
no o sabes tu agora, mas tu o sabers depois" (Joo 13:7). A seqncia dos fatos demonstrar que Deus no abandonou nem enganou Seu filho. "Por isso o Senhor esperar, 
para ter misericrdia de vs; e por isso ser exalado, para se compadecer de vs, porque o Senhor  um Deus de eqidade: bem-aventurados todos os que nele esperam 
(Isaas 30:18).
       
"No julgues o Senhor por tua mente,
porm, confia nEIe por Sua graa.
Por trs de uma severa providncia
Ele oculta um semblante sorridente.
Animai-vos,  santos temerosos!
As nuvens que temveis vos parecem,
ricas so de mercs, e irrompero
em bnos derramadas sobre vs."
       
       "Os teus testemunhos que ordenaste so retos e muito fiis" (Salmo 119:138). Deus no nos falou apenas o melhor, mas tambm no retirou o pior. Ele descreveu 
fielmente a runa efetuada pela Queda. Ele diagnosticou fielmente o terrvel estado produzido pelo pecado. Fielmente fez conhecido o Seu inveterado dio ao mal, 
e que  preciso que Ele o puna. Advertiu-nos fielmente de que Ele  "fogo consumidor" (Hebreus 12:29). Sua Palavra no contm somente numerosas ilustraes de Sua 
fidelidade no cumprimento de Suas promessas, mas tambm registra numerosos exemplos de Sua fidelidade em fazer valer as Suas ameaas. Cada estgio da histria de 
Israel exemplifica esse fato solene. Foi assim com indivduos: Fara, Core, Ac e uma multido de outros mais, so outras tantas provas. E ser assim com voc, meu 
leitor, a menos que voc tenha buscado ou busque refgio em Cristo, as chamas eternas do Lago de Fogo sero a tua poro certa e segura. Deus  fiel.
       Deus  fiel na preservao do Seu povo. "Fiel  Deus, pelo qual fostes chamados para a comunho de seu Filho Jesus Cristo nosso Senhor'" (l Corntios 1:9). 
No versculo anterior foi feita a promessa de que Deus confirmar o Seu povo at o fim. A confiana do apstolo na absoluta segurana dos crentes estava baseada 
no na fora das resolues deles ou em sua capacidade para perseverar, mas sim na veracidade dAquele que no pode mentir. Visto que Deus prometeu ao Seu Filho um 
certo povo como Sua herana, livr-lo do pecado e da condenao e faz-lo participante da vida eterna na glria,  certo que Ele no permitira que nenhum dos pertencentes 
a esse povo perea.
       Deus  fiel na disciplina ministrada ao Seu povo. Ele no  menos fiel naquilo que retira, do que naquilo que d.  fiel quando envia tristeza como quando 
outorga alegria. A fidelidade de Deus  uma verdade que devemos confessar no somente quando a tranqilidade nos bafeja, mas tambm quando nos afligirmos sob o castigo 
mais spero. Tampouco esta confisso deve ser apenas de boca, mas tambm de corao, Quando Deus nos fere com a vara da punio,  a fidelidade que a maneja. Reconhecer 
isso significa que nos humilhamos diante dEle, confessamos que merecemos totalmente a Sua correo e, em vez de murmurar, damos-Lhe graas por isso. Deus nunca nos 
aflige sem algum motivo: "Por causa disto, h entre vs muitos fracos e doentes..." (1 Corntios 11:30), ilustra este princpio. Quando a Sua vara cair sobre ns, 
digamos com Daniel; "A ti,  Senhor, pertence a justia, mas a ns a confuso de rosto..." (9:7).
       "Bem sei eu,  Senhor, que os teus juzos so justos, e que em tua fidelidade me afligiste" (Salmo 119:75), Problemas e aflies no so apenas coerentes 
com o amor de Deus empenhado na aliana eterna, mas so partes da sua administrao. Deus  fiel no s quando afasta as aflies, mas tambm  fiel quando no-las 
envia. '" Ento visitarei com vara a sua transgresso, e a sua iniqidade com aoites, Mas no retirarei totalmente dele a minha benignidade, nem faltarei  minha 
fidelidade" (Salmo 89:32-33), O castigo no  apenas concilivel com a benignidade amorosa de Deus, mas tambm  seu efeito e expresso. A mente dos servos de Deus 
se tranqilizaria muito se eles se lembrassem de que a aliana de Deus O obriga a aplicar-lhes correo oportuna. As aflies so-nos necessrias: "...estando eles 
angustiados, de madrugada me buscaro" (Osias 5:15).
       Deus  fiel na glorificao do Seu povo, "Fiel  o que vos chama, o qual tambm o far" (1 Tessalonicenses 5:24), A referncia imediata aqui  aos santos 
serem "preservados inculpveis para a vinda de nosso Senhor Jesus Cristo". Deus nos trata, no com base em nossos mritos (pois no temos nenhum), mas por amor do 
Seu grande nome. Deus  constante para consigo mesmo e segundo o propsito da Sua graa, "... aos que chamou ... a estes tambm glorificou" (Romanos 8:30). Deus 
d plena demonstrao da constncia de Sua bondade eterna para com os Seus eleitos, chamando-os eficazmente das trevas para a Sua maravilhosa luz, e isto deveria 
torn-los seguros da certeza da sua continuidade. "... o fundamento de Deus fica firme..." (2 Timteo 2; 19), Paulo estava firmado na fidelidade de Deus quando disse: 
". . , eu sei em quem tenho crido, e estou certo de que  poderoso para guardar o meu depsito at quele dia" (2 Timteo 1:12).
       A percepo desta bendita verdade nos protegera da preocupao. Estar cheio de preocupaes, ver a nossa situao com prenncios sombrios, antecipar o amanh 
com ansiedade,  ofender a fidelidade de Deus. Aquele que vem cuidando do Seu filho atravs dos anos, no o abandonar quando o filho envelhecer. Aquele que ouviu 
as oraes que voc fez no passado, no se negar a suprir suas necessidades na presente emergncia. Descanse em J 5:19: "Em seis angstias te livrar; e na stima 
o mal te no tocar".
       A percepo desta bendita verdade catar as nossas murmuraes. O Senhor sabe o que  melhor para cada um de ns, e um efeito da confiana nesta verdade ser 
o silenciar das nossas petulantes reclamaes. Deus  grandemente honrado quando, sob provao e castigo, temos bons pensamentos sobre Ele, vindicamos a Sua sabedoria 
e justia, e reconhecemos o Seu amor mesmo em Suas repreenses.
       A percepo desta bendita verdade gera crescente confiana em Deus. "Portanto tambm os que padecem segundo a vontade de Deus encomendem-lhe as suas almas 
como ao fiel Criador, fazendo o bem" (1 Pedro 4:19). Quando confiantemente nos resignarmos e deixarmos todos os nossos interesses nas mos de Deus, plenamente persuadidos 
do Seu amor e fidelidade, tanto mais depressa ficaremos satisfeitos com as Suas providncias e compreenderemos que "ele tudo faz bem".
       
       
       
       
       
       
       
       
       
       
       
       
       
11

A BONDADE DE DEUS
      
       "A bondade de Deus permanece continuamente" (Salmo 52:1). A "bondade" de Deus tem que ver com a perfeio da Sua natureza: "... Deus  luz, e no h nele 
trevas nenhumas" (1 Joo 1:5). H uma to absoluta perfeio na natureza e no ser de Deus que nada Lhe falta, nada nEle  defeituoso, e nada se Lhe pode acrescentar 
para melhor-lO. "Ele  essencialmente bom, bom em Si prprio, o que nada mais ; pois todas as criaturas s so boas pela participao e comunicao da parte de 
Deus. Ele  essencialmente bom; no somente bom, mas  a prpria bondade: na criatura, a bondade  uma qualidade acrescentada; em Deus,  Sua essncia. Ele  infinitamente 
bom; na criatura a bondade  uma gota apenas, mas em Deus h um oceano infinito ou um infinito ajuntamento de bondade. Ele  eterna e imutavelmente bom, porquanto 
Ele no pode ser menos bom do que ; como no se pode fazer nenhum acrscimo a Ele, assim tambm no se Lhe pode fazer nenhuma subtrao" (Thomas Manton). Deus  
summum bonum, o Sumo Bem.
       O significado saxnico original do vocbulo ingls. "God" (Deus)  "The Good"  (O Bom ou O Bem). Deus no  somente o maior de todos os seres, mas o melhor. 
Toda a bondade existente em qualquer criatura foi-lhe infundida pelo Criador, mas a bondade de Deus no  derivada, pois  a essncia da Sua natureza eterna. Como 
Deus  infinito em poder desde toda a eternidade, desde antes de ter havido alguma demonstrao desse poder, ou antes de ter sido executado algum ato de onipotncia, 
assim Ele era eternamente bom, antes de haver qualquer comunicao da Sua generosidade, ou antes de haver qualquer criatura  qual essa generosidade pudesse ser 
infundida ou exercida. Portanto, a primeira manifestao desta perfeio divina consistiu em dar existncia a todas as coisas. "Tu s bom e abenoador...", ou, na 
verso utilizada pelo autor: "Tu s bom, e fazes o bem..." (Salmo 119:68). Deus tem em Si mesmo um infinito e inexaurvel tesouro de todas as bnos, capaz de encher 
todas as coisas.
       Tudo que provm de Deus - os Seus decretos, a Sua criao" as Suas leis" as Suas providncias - s pode ser bom, como est escrito: "E viu Deus tudo quanto 
tinha feito, e eis que era muito bom..." (Gnesis 1:31). Assim, v-se a bondade de Deus primeiro na criao. Quanto mais de perto se estuda a criatura, mais visvel 
se torna a benignidade do seu Criador, Tome a mais elevada criatura da terra, o homem. Abundantes motivos tem ele para dizer com o salmista: "Eu te louvarei, porque 
de um modo terrvel e to maravilhoso fui formado; maravilhosas so as tuas obras, e a minha alma o sabe muito bem" (Salmo 139:14). Tudo acerca da estrutura dos 
nossos corpos atesta a bondade do seu Criador. Que mos apropriadas para realizar a obra a elas confiada! Que bondade do Senhor, determinar o sono para restaurar 
o corpo cansado! Que benvola a Sua proviso, dar aos olhos clios e sobrancelhas para proteg-los! E assim poderamos prosseguir indefinidamente.
       E a bondade de Deus no se limita ao homem;  exercida em favor de todas as Suas criaturas. "Os olhos de todos esperam em ti, e tu lhes ds o seu mantimento 
a seu tempo. Abres a tua mo, e satisfazes os desejos de todos os viventes" (Salmo 145:15-16). Volumes inteiros poderiam ser escritos, na verdade tm sido, para 
discorrer sobre este fato. Sejam as aves do espao, os animais das matas ou os peixes no mar, foi feita abundante proviso para suprir todas as suas necessidades. 
Deus "... d mantimento a toda a carne; porque a sua benignidade  para sempre" (Salmo 136:25). Verdadeiramente, "... a terra est cheia da bondade do Senhor" (Salmo 
33:5).
       V-se a bondade de Deus na variedade de prazeres naturais que Ele providenciou para as Suas criaturas. Deus poderia ter-Se satisfeito em saciar a nossa fome 
sem que os alimentos fossem agradveis ao nosso paladar - como Sua benignidade transparece-nos diversos sabores de que Ele revestiu os diferentes tipos de carne, 
vegetais e frutas! Deus no nos deu somente os sentidos, mas tambm nos deu aquilo que os agrada; e isso tambm revela a Sua bondade. A terra poderia ser to frtil 
como , sem a sua superfcie ser to deleitavelmente variegada, A nossa vida fsica poderia ser mantida sem as lindas flores para encantarem os nossos olhos e para 
exalarem suaves perfumes. Poderamos andar pelos campos, sem que os nossos ouvidos fossem saudados pela msica dos pssaros. Donde, pois, esta beleza, este encanto, 
to livremente difundido pela face da natureza? Verdadeiramente, "O Senhor  bom para todos, e as suas ternas misericrdias so sobre todas as suas obras" (Salmo 
145:9).
       V-se a bondade de Deus em que, quando o homem transgrediu a lei do seu Criador, no comeou de imediato uma dispensao de ira sem contemplao. Bem poderia 
Deus ter privado as Suas criaturas decadas de todas as bnos, de todos os confortos e de todos os prazeres. Em vez disso, Ele introduziu um regime de natureza 
mista, de misericrdia e juzo. Devidamente considerado, isso  por demais maravilhoso, e quanto mais completamente se examine esse regime, mais transparecer que 
" ... a misericrdia triunfa do juzo** (Tiago 2:13). No obstante os males todos que acompanham o nosso estado decado, o prato do bem predomina grandemente na 
balana. Com relativamente ratas excees, os homens e as mulheres experimentam muito maior numero de dias de boa sade, do que de enfermidade e dor. H no mundo 
muito mais felicidade prpria das criaturas do que infelicidade igualmente prpria delas. Mesmo as nossas tristezas admitem considervel alvio, e Deus conferiu 
 mente humana uma versatilidade que lhe possibilita adaptar-se s circunstncias e tirar delas o melhor proveito possvel.
       No se pode com justia pr em questo a benignidade de Deus pelo fato de haver sofrimento e tristeza no mundo.  Se o homem peca contra a bondade de Deus, 
se ele despreza "as riquezas da sua benignidade, e pacincia e longanimidade" e, seguindo a dureza e a impenitncia do seu corao entesoura para si mesmo ira para 
o dia da ira (Romanos 2:4-5), a quem deve culpar, seno a si prprio? Deus seria bom, se no punisse os que usam mal as Suas bnos, abusam da Sua benevolncia 
e pisoteiam as Suas misericrdias? No haver a menor censura quanto  bondade de Deus, mas, ao contrrio, a mais brilhante e modelar demonstrao dela, quando Deus 
eliminar da terra os que quebrantara as Suas leis, desafiam a Sua autoridade, zombam dos Seus mensageiros, escarnecem do Seu Filho e perseguem aqueles pelos quais 
Ele morreu.
       A bondade de Deus foi mais ilustremente visvel quando Ele enviou o Seu Filho, "... nascido de mulher, nascido sob a lei, para remir os que estavam debaixo 
da lei, a fim de recebermos a adoo de filhos" (Gaiatas 4:4-5). Foi ento que uma multido dos exrcitos celestiais louvou seu Criador e disse: "Glria a Deus nas 
alturas, paz na terra, boa vontade para com os homens" (Lucas 2:14). Sim, no evangelho "a graa (em grego, a benevolncia ou bondade) de Deus se h manifestado, 
trazendo salvao a todos os homens" (Tito 2:11). No se pode pr em dvida a benignidade de Deus pelo fato de no ter feito Ele a todas as criaturas pecadoras objetos 
da Sua graa redentora. No o fez com os anjos decados. Se Ele tivesse deixado que todos perecessem, no haveria censura  Sua bondade, A quem quer que desafiasse 
esta afirmao faramos lembrar a soberana prerrogativa de nosso Senhor: "Ou no me  lcito fazer o que quiser do que  meu? Ou  mau o teu olho porque eu sou bom?" 
(Mateus 20:15),
       "Louvem ao Senhor pela sua bondade, e pelas suas maravilhas para com os filhos dos homens" (Salmo 107:8). Gratido  o justo retorno exigido dos objetos da 
Sua benignidade; contudo, muitas vezes  negada ao grande Benfeitor, simplesmente porque a Sua bondade  to constante e to abundante. A bondade de Deus  apreciada 
superficialmente porque  exercida para conosco no curso comum dos eventos. No a percebemos bem porque a experimentamos diariamente.  "Ou desprezas  tu as riquezas 
da sua begnidade?..." (Romanos 2:4). A Sua bondade  "desprezada" quando no  utilizada como um meio para levar os homens ao arrependimento, mas, ao contrrio, 
serve para endurec-los a partir da suposio de que fecha os olhos para o pecado deles.
       A bondade de Deus  o sustentculo da confiana do crente,  esta excelncia de Deus que exerce mais atrao sobre os nossos coraes. Visto que a Sua bondade 
dura para sempre, jamais deveramos ficar desanimados-. "O Senhor  bom, uma fortaleza no dia da angstia, e conhece os que confiam nele" (Naum 1:7). "Quando outros 
nos maltratam, isso deveria somente estimular-nos a dar graas mais calorosamente ao Senhor, porque Ele  bom; e quando ns mesmos nos damos conta de que estamos 
longe de sermos bons, somente deveramos bendizem com maior reverncia Aquele que  bom jamais deveramos tolerar um instante de descrena na bondade, do Senhor; 
seja o que for que possa ser questionado, isto  absolutamente certo, que o Senhor  bom; as Suas dispensaes podem variar, mas a Sua natureza  sempre a mesma" 
(C. H. Spurgeon).
      
      
      
      
      
      
      
      
      
      
12

A PACINCIA DE DEUS
      
       Tem-se escrito muito menos sobre esta excelncia do carter divino do que sobre as demais. No poucos dos que tm se estendido largamente sobre os atributos 
divinos, deixaram de lado, sem nenhum comentrio, a pacincia de Deus. No  fcil opinar sobre a razo disto, pois certamente a pacincia de Deus  igualmente uma 
das perfeies divinas, como a Sua sabedoria, poder ou santidade, e igualmente digna de ser admirada e reverenciada por ns.  verdade que esse vocbulo no se acha 
numa concordncia tantas vezes como os outros, mas a glria desta graa refulge em quase todas as pginas das Escrituras. O certo  que perdemos muito, se no meditamos 
com freqncia na pacincia de Deus e se no oramos fervorosamente, rogando que os nossos coraes a ela se disponham mais completamente.
       O mais provvel  que a principal razo pela qual tantos escritores deixaram de dar-nos algo, separadamente, sobre a pacincia de Deus,  a dificuldade em 
distinguir este atributo da bondade e da misericrdia divinas, particularmente desta ltima A longaminidade de Deus  mencionada repetidamente era conjunto com a 
Sua graa  e misericrdia,  como  se pode  verificar consultando xodo 34:6; Nmeros 14:18; Salmo 86:15 etc   No se pode negar que a pacincia de Deus  realmente 
uma demonstrao da Sua misericrdia, na verdade um modo pelo qual esta se manifesta freqentemente;  no se pode conceder, porm   que ambas sejam urna s e a mesma 
excelncia e que no se possa separar uma da outra. Embora no seja fcil distinguir entre elas as Escrituras nos autorizam plenamente a afirmar sobre uma delas 
algumas coisas que no podemos afirmar sobre a outra.
       Stephen Charnock, o puritano, define em parte a pacincia de Deus assim: " uma parte da bondade e da misericrdia divinas e, contudo, difere de ambas. Sendo 
Deus a maior bondade tem a maior  brandura; a brandura    sempre  companheira   da bondade e,  quanto maior a  bondade,  maior a  brandura. Quem houve to santo 
como Cristo, e to gentil? A lentido de Deus para a ira  um aspecto da Sua misericrdia: "... o Senhor () sofredor e de grande misericrdia" (Salmo 145:8; Atualizada, 
semelhante  verso da citao: "... o Senhor () tardio em irar-se e de grande clemncia"). A pacincia difere da misericrdia na considerao formal  do  objeto: 
a  misericrdia  considera a  criatura como infeliz, a pacincia considera  a criatura como criminosa; a misericrdia tem pena do ser humano em sua infelicidade 
a pacincia tolera o pecado que gerou a infelicidade e deu nascimento a mais infelicidade ainda".
       Pessoalmente, definimos a pacincia divina como aquele poder de controle que Deus exerce sobre Si  mesmo,  levando-0  a tolerar os maus e a demorar-Se a castig-los. 
Em Naum 1:3 lemos: "O Senhor e tardio em irar-se, mas grande em fora...", sobre o qual disse o senhor Charnock: "Os homens que so grandes no mundo sofrem rpido 
impulso da paixo, e no se dispem a perdoar logo, ou a tolerar um ofensor, como algum de nvel inferior.  a falta de poder sobre o prprio ego que os leva a 
fazer coisas imprprias sob provocao. Um prncipe capaz de sujeitar as suas paixes  um rei sobre si mesmo, bem como sobre os seus sditos. Deus  tardio em irar-Se 
porque  grande em fora, Ele no tem menos poder sobre Si mesmo do que sobre as Suas criaturas'.
        na questo acima, pensamos ns, que a pacincia de Deus se distingue mais claramente da Sua misericrdia. Embora a criatura seja beneficiada por ela, a 
pacincia de Deus diz respeito principalmente a Si prprio, como uma restrio imposta por Sua vontade aos Seus atos, ao passo que a Sua misericrdia esgota-se totalmente 
na criatura. A pacincia de Deus  aquela excelncia que O leva a suportar grandes ofensas sem vingar-Se imediatamente. Ele tem um poder de pacincia, como tambm 
um poder de justia. Assim, a palavra hebraica para "longnimo"  traduzida por '"tardio em irar-se" em Neemias 9:17, Joel 2:13, etc. No que haja quaisquer paixes 
na natureza divina, mas que  sabedoria e  vontade de Deus apraz agir com aquela dignidade e sobriedade que vem a ser a Sua exaltada majestade.
       Em apoio de nossa definio acima, permita-me assinalar que foi para esta excelncia do carter divino que Moiss apelou, quando Israel pecou to afrontosamente 
era Cades-Barnia, e ali provocou ao Senhor to dolorosamente. Ao Seu servo disse o Senhor: "Com pestilncia o ferirei, e o rejeitarei..." (Nmeros 14:12). Ento 
foi que o mediador tipolgico intercedeu: "Agora, pois, rogo-te que a fora do meu Senhor se engrandea; como tens falado, dizendo: O Senhor  Longnimo" (versculos 
17 e 18). Portanto, a Sua "longanimidade"" ou pacincia  a Sua "fora" ou o Seu poder de auto-restrio.
       Ainda em Romanos 9:22 lemos: "E que direis se Deus, querendo mostrar a sua ira, e dar a conhecer o seu poder, suportou com muita pacincia os vasos da ira, 
preparados para perdio". Se Deus imediatamente fizesse em pedaos estes vasos reprovados, o Seu poder de auto-controle no apareceria to eminentemente; tolerando 
a iniqidade deles e lhes sobre-levando demoradamente o castigo, o poder da Sua pacincia fica demonstrado gloriosamente.  verdade que os mpios interpretam a pacincia 
de Deus de maneira muito diferente -- "Visto como se no executa logo o juzo sobre a m obra, por isso o corao dos filhos dos homens est inteiramente disposto 
para praticar o mal" (Eclesiastes 8:11) - mas o olhar ungido adora o que eles insultam.
       "O Deus de pacincia" (Romanos 15:5)  um dos ttulos divinos. A Deidade  assim denominada, primeiro, porque Deus  tanto o Autor como o Objeto da graa 
da pacincia na criatura. Segundo, porque  isto que Ele  em Si mesmo: a pacincia  uma das Suas perfeies. Terceiro, como um padro para ns: "Revesti-vos pois, 
como eleitos de Deus, santos, e amados, de entranhas de misericrdia, de benignidade, mansido, longanimidade" (Colossenses 3:12). E ainda: "Sede pois imitadores 
de Deus como filhos amados" (Efsios 5:1). Quando tentado a aborrecer-se com a lerdeza doutrem, ou a vingar-se de algum que o ultrajou, lembre-se da infinita pacincia 
e longanimidade de Deus para com voc.
       A pacincia de Deus se manifesta em Sua maneira de tratar os pecadores. Quo surpreendentemente foi demonstrada para com os antediluvianos. Quando a humanidade 
estava universalmente degenerada, e toda a carne havia corrompido os seus caminhos, Deus no a destruiu sem antes adverti-la. "... a longanimidade de Deus esperava..." 
(1 Pedro 3:20), Deus esperou no menos de cento e vinte anos (Gnesis 6:3), tempo durante o qual No foi "... pregoeiro da justia... " (2 Pedro 2:5). Assim, mais 
tarde, quando os gentios no s cultuavam e serviam mais a criatura do que ao Criador, mas tambm cometiam as mais vis abominaes contrrias at mesmo aos .ditames 
da natureza (Romanos 1:19-26), e com isso encheram a medida da sua iniqidade; todavia, em vez de desembainhar a Sua espada para o extermnio desses rebeldes, Deus 
"... deixou andar todas as gentes em seus prprios caminhos..." e lhes deu "... chuvas e tempos frutferos..." (Atos 14:16-17).
       A pacincia de Deus foi maravilhosamente exercida e manifestada  para   com   Israel.   Primeiro,   Ele  "...suportou  os   seus costumes  no deserto por 
espao de quase quarenta anos     (Atos 13.18)   Posteriormente, quando os israelitas entraram em Cana, mas seguiam os maus costumes das naes ao seu redor e pendiam 
para a idolatria, conquanto Deus os castigasse dolorosamente    no   os   destruiu   por   completo,   mas   sim   em   sua   angustia, levantava libertadores para 
eles. Quando a sua iniqidade subiu a tal ponto que ningum, seno um Deus de infinita pacincia, poderia   suport-los,  Ele,   no  obstante,   poupou-os   durante 
muitos anos   antes de deixar que fossem levados para a Babilnia. Finalmente   quando a sua rebelio contra  Ele atingiu o clmax pela crucificao de Seu Filho, 
Deus esperou quarenta anos, antes de enviar os romanos contra eles, e isso, s depois deles Julgarem que no eram "...dignos da vida eterna...     (Atos  13:46)
       Quo maravilhosa  a pacincia de Deus com o mundo hoje! Por toda parte as pessoas pecam a peito aberto. A lei divina e pisoteada e o prprio Deus  desprezado 
abertamente.  deveras espantoso que Ele no elimine de vez aqueles que to descaradamente O desafiam. Por que Ele  no  corta  da face  da  terra o infiel insolente 
e o escarnecedor verboso, como fez com Ananias e  Safira?   Por que no faz a  terra  abrir  a boca  e  devorar  os perseguidores do Seu povo para  que,    semelhana 
de Data  e Abiro   fossem vivos para o Abismo? E que dizer da cristandade apstata, em que todas as formas de pecado possveis so agora toleradas e praticadas 
sob a capa do santo nome de_ Cristo? Por que a justa ira do Cu no pe fim a tais abominaes? Somente uma resposta  possvel: porque Deus tolera com muita pacincia 
os  vasos  da  ira,  preparados   para   perdio  (Romanos 9:22).
       E que dizer do autor e do leitor? Faamos uma reviso em nossas vidas. No transcorreu muito tempo desde quando ns seguamos a multido na prtica do mal, 
no nos interessvamos nem um pouco pela glria de Deus e s vivamos para gratificar o nosso ego. Quo pacientemente Ele tolerou a nossa conduta vil! E agora que 
a graa nos tirou como ties do fogo, dando-nos um lugar na famlia de Deus, e nos gerou para uma herana eterna na glria, quo miseravelmente Lhe retribumos! 
Quo superficial a nossa gratido, quo tardia a nossa obedincia e quo freqentes as nossas apostasias! Uma razo pela qual Deus tolera que o crente permanea 
carnal  que Ele possa demonstrar a Sua longanimidade para conosco (2 Pedro 3:9). Desde que este atributo divino s se manifesta neste mundo, Deus se empenha mais 
em mostr-lo para com "os Seus".
       Oxal a nossa meditao nesta excelncia divina abrande os nossos coraes, enternea as nossas conscincias, e possamos aprender na escola da santa experincia 
a "pacincia dos santos'1, a saber, a submisso  vontade divina e a perseverana na prtica do bem. Busquemos fervorosamente a graa que nos capacite a imitar esta 
excelncia divina. "Sede vs pois perfeitos, como  perfeito o vosso Pai que est nos cus'" (Mateus 5:48); no contexto imediato Cristo nos exorta a amar os nossos 
inimigos, a bendizer os que nos maldizem, a fazer o bem aos que nos odeiam. Deus tolera bastante os mpios, apesar da multido dos seus pecados; e ns, haveremos 
de querer vingar-nos por causa de uma nica ofensa?
      
      
      
      
      
      
      
      
      
      
      
      
      
      
      
      
      
      
      
      
      
      
      
      
      
      
      
      
      
      
      
      
      
      
      
      
      
      

13

A GRAA DE DEUS
      
       Esta perfeio do carter divino s  exercida em favor dos eleitos. Nem no Velho Testamento nem no Novo jamais se menciona a graa de Deus em conexo com 
a humanidade em geral, e muito menos com as ordens inferiores das Suas criaturas. Nisto a graa se distingue da "misericrdia", pois a misericrdia  "... sobre 
todas as suas obras1' (Salmo 145:9). A graa  a nica fonte da qual fluem a boa vontade, o amor e a salvao de Deus para o Seu povo escolhido. Este atributo do 
carter divino foi definido por Abraham Booth em seu proveitoso livro, The Reign of Grace - O Reino da Graa, assim: " o livre, absoluto e eterno favor de Deus, 
manifesto na concesso de bnos espirituais e eternas a culpados e indignos.
       A graa divina  o soberano e salvador favor de Deus exercido na ddiva de bnos a pessoas que no tm em si mrito nenhum, e pelas quais no se exige delas 
nenhuma compensao. No apenas isso,  ainda mais;  o favor de Deus demonstrado a pessoas que, no s no possuem merecimentos prprios, mas so totalmente merecedoras 
do inferno.  completamente imerecida, no  procurada de modo nenhum e no  atrada por nada que haja nos objetos aos quais  dada, por nada que deles provenha, 
e tampouco pelos prprios objetos. A graa no pode ser comprada, nem obtida, nem conquistada pela criatura. Se pudesse, deixaria de ser graa. Quando dizemos que 
uma coisa  "de graa", queremos dizer que seu recebedor no tem direitos sobre ela, que de maneira nenhuma ela lhe era devida. Chega-lhe como pura caridade e, a 
princpio, no solicitada nem desejada.
       A mais completa exposio da maravilhosa graa de Deus acha-se nas epstolas do apstolo Paulo. Em seus escritos "graa" est em direta oposio a obras e 
merecimento, todas as obras e todo merecimento, de qualquer espcie ou grau. V-se isto com muita clareza em Romanos 11:6, na verso utilizada pelo autor: "E se 
 por graa, j no  pelas obras; de outra maneira, a graa j no  graa. Se  por obras, j no  pela graa; de outra maneira, as obras j no so obras".  
to impossvel unir a graa e as obras, como o  unir um cido e um lcali. "Porque pela graa sois salvos, por meio da f; e isto no vem de vs;  dom de Deus. 
No vem das obras, para que ningum se glorie (Efsios 2:8-9). O absoluto favor de Deus no pode harmonizar-se com o mrito humano, mais do que o leo e a gua fundir-se 
num s elemento. Ver tambm Romanos 4:4-5.
       So trs s principais caractersticas da graa divina: primeira,  eterna. A graa foi planejada antes de ser exercida, e fez parte do propsito divino antes 
de ser infundida: "Que nos salvou, e chamou com uma santa vocao; no segundo as nossas obras, mas segundo o seu prprio propsito e graa que nos foi dada em Cristo 
Jesus antes dos tempos dos sculos" (2 Timteo 1:9). Segunda,  livre, ou gratuita, pois ningum a pde comprar jamais: "Sendo justificados gratuitamente pela sua 
graa..." (Romanos 3:24. Terceira,  soberana, porque Deus a exerce em favor daqueles a quem Lhe apraz, e a estes a concede: "Para que... tambm a graa reinasse..." 
(Romanos 5:21). Se a graa "reina", ocupa um trono, e o ocupante do trono  soberano. Da o "...   trono da graa..." (Hebreus 4:16).
       Exatamente porque a graa  um favor imerecido, exerce-se necessariamente de maneira soberana. Portanto, o Senhor declara: "Terei misericrdia" (ou graa) 
"...de quem eu tiver misericrdia,..'" (xodo 33:19). Se Deus mostrasse graa a todos os descendentes de Ado, os homens logo concluiriam que Ele, sendo justo, estava 
compelido a lev-los para o cu como uma razovel compensao por ter deixado a raa humana cair em pecado. Mas o grande Deus no est sob nenhuma obrigao para 
com nenhuma de Suas criaturas, menos ainda para com os que so rebeldes contra Ele.
       A vida eterna  um dom e, portanto, no pode ser obtida pelas boas obras, nem reivindicada como um direito. Vendo que a salvao  um "dom", quem tem direito 
de dizer a Deus a quem Ele deve do-lo? No  que o Doador recusa este dom a qualquer que o busque de todo corao e de acordo com as regras que Ele prescreveu. 
No; Ele no o recusa a ningum que O busca de mos vazias e da maneira determinada por Ele. Mas, se de um mundo impenitente e incrdulo Deus est resolvido a exercer 
o Seu direito soberano escolhendo um nmero limitado de pessoas para serem salvas, quem sai prejudicado? Estar Deus obrigado a impor o Seu dom aos que no lhe do 
valor? Estar Deus compelido a salvar os que esto determinados a seguir o seu prprio caminho!
       Nada, porm, enraivece mais o homem natural e mais contribui para trazer  tona a sua inata e inveterada inimizade contra Deus, do que insistir com ele sobre 
a eternidade, a gratuidade e a absoluta soberania da graa divina. Dizer que Deus formou Seu propsito desde a eternidade, sem nenhuma consulta  criatura,  demasiadamente 
humilhante para o corao no quebrantado Dizer que a graa no pode ser adquirida ou conquistada pelos esforos do homem, esvazia demais o ego dos que confiam em 
sua justia prpria. E o fato de que a graa separa os que ela quer para serem os objetos do seu favor, provoca acalorados protestos  dos  rebeldes  arrogantes. 
O  barro se  levanta  contra  o Oleiro e pergunta: "Por que Tu me fizeste assim?'   Um rebelde infrator da lei atreve-se a questionar a justia da soberania divina. 
V-se a distintiva graa de Deus no ato de salvar aqueles que Ele separou  soberanamente  para  serem os  Seus  favoritos.  Com "distintiva" queremos dizer que a 
graa discrimina, faz diferenas   escolhe alguns e deixa de lado outros. Foi a distintiva graa de Deus que separou Abrao dentre os seus vizinhos idolatras e fez 
dele "o amigo de Deus". Foi a distintiva graa que salvou "publicanos e  pecadores", mas disse acerca dos fariseus: Deixai-os"   (Mateus   15:14).  Em parte nenhuma 
a glria da livre e soberana graa de  Deus  fulge mais conspicuamente  do que na indignidade e diversidade dos que a recebem. Esta verdade foi belamente ilustrada 
por James Hervey (1751):
       "Onde o pecado abundou, diz a proclamao do tribunal do cu superabundou a graa. Manasses foi um monstro cruel, pois fez passar seus prprios filhos pelo 
fogo, e encheu Jerusalm de sangue inocente. Manasses foi-perito em iniqidade, pois, no s multiplicou, chegando a extremos extravagantes, as suas impiedades sacrlegas, 
como tambm envenenou os princpios e perverteu os costumes dos seus sditos, fazendo-os agir pior do que os pagos idolatras mais detestveis. Veja 2 Crnicas 33. 
Contudo, atravs desta super abundante graa, ele se humilhou, mudou de vida, e se tornou um filho do amor que perdoa e um herdeiro da glria imortal.
       "Vede Saulo, aquele perseguidor cruel e sanguinrio, quando, respirando ameaas e disposto  matana, atormentava as ovelhas de Jesus e levava  morte os 
Seus discpulos. A devastao que causara e as famlias inofensivas que arruinara, no eram suficientes para mitigar o seu esprito vingativo. Eram apenas uma amostra 
para o paladar que, em vez de saciar a sede de sangue, fizeram-no seguir mais de perto a presa e ansiar mais ardentemente pela destruio. Continuava sedento de 
violncia e morte. To vida e insacivel era sua sede, que chegava a respirar ameaas e mortes (Atos 9:1). Suas palavras eram verdadeiras lanas e flechas, e a 
sua lngua, uma espada afiada. Para ele, ameaar os cristos era to natural como respirar. Nos propsitos do seu corao rancoroso, eles no paravam de sangrar. 
S devido  falta de poder  que cada slaba que proferia e cada sopro da sua respirao no espalhavam mais mortes nem faziam cair mais discpulos inocentes. Quem, 
segundo os princpios da justia humana, no o teria pronunciado vaso da ira, destinado a inevitvel condenao? E mais, quem no estaria pronto a concluir que, 
se houvesse cadeias mais pesadas e masmorra mais triste no mundo das torturas, certamente se reservariam para to implacvel inimigo da verdadeira religiosidade? 
Entretanto, admirai e adorai os inexaurveis tesouros da graa - este Saulo  admitido na santa comunho dos profetas,  enumerado com o nobre exrcito de mrtires 
e faz distinguida figura no glorioso colgio dos apstolos.
       "Era proverbial a maldade dos corntios. Alguns deles chafurdavam em to abominveis libertinagens, e estavam habituados a to ultrajantes atos de injustia 
que eram uma infmia at para a natureza humana. Contudo, at mesmo esses filhos da violncia e escravos do sensualismo foram lavados, santificados, justificados 
(1 Corntios 6:9-11). "Lavados" no sangue precioso do Redentor que deu Sua vida; "santificados" pelas poderosas operaes do bendito Esprito; "justificados" atravs 
das misericrdias infinitamente ternas do Deus da graa. Os que outrora foram um aflitivo fardo para a terra, vieram a ser o jbilo do cu, o encanto dos anjos".
       Agora, a graa de Deus se manifesta no Senhor Jesus Cristo, por Ele e atravs dEle.-"Porque a lei foi dada por Moiss; a graa e a verdade vieram por Jesus 
Cristo (Joo 1:17). Isto no significa que Deus nunca exercera a Sua graa em favor de algum antes de encarnar-Se o Seu Filho, Gnesis 6:8; xodo 33:19; etc; mostram 
que a verdade  outra. Mas a graa e a verdade foram plenamente reveladas e perfeitamente exemplificadas quando o Redentor veio a esta terra e morreu na cruz por 
Seu povo.  somente atravs de Cristo, o Mediador, que a graa de Deus flui para os Seus eleitos. "Muito mais a graa de Deus e o dom pela graa, que  dum s homem 
(ou "por um S homem"), Jesus Cristo... muito mais os que recebem a abundncia da graa, e o dom da justia, reinaro em vida por um s - Jesus Cristo ... para que 
... tambm a graa reinasse pela justia para a vida eterna, por Jesus Cristo nosso Senhor" (Romanos 5:15, 17, 21).
       A graa de Deus  proclamada no evangelho  (Atos 20:24), o qual  para o judeu confiante em sua justia prpria um "escndalo" (ou "pedra de tropeo"), e 
para o grego presunoso e filsofo   "loucura". Por qu? Porque no h nada no evangelho que se preste para gratificar o orgulho do homem. Ele anuncia que se no 
formos salvos pela graa, no seremos salvos de modo nenhum. Ele declara que, fora de Cristo - o Dom inefvel da graa de Deus - o estado de todos os homens  desesperador, 
irremedivel, sem esperana. O evangelho trata os homens como criminosos culpados, condenados e mortos. Declara que o moralista mais puro est na mesma condio 
terrvel em que se acha o libertino mais  voluptuoso;  que o religioso confesso e zeloso, com todas as suas prticas religiosas, no  melhor do que o mais profano 
infiel.
       O evangelho considera a todo descendente de Ado como pecador decado, corrupto, merecedor do inferno e desvalido. A graa que o evangelho divulga  a sua 
nica esperana. Todos permanecem diante de Deus como rus sentenciados, transgressores da Sua santa lei, como criminosos culpados e condenados, no a espera de 
alguma sentena, mas esperando a execuo da sentena j passada sobre eles (Joo 3:18; Romanos 3:19). Queixar-se da parcialidade da graa  suicdio. Se o pecador 
insiste em que se lhe faa a pura justia, ento o "lago de fogo" ter que ser o seu quinho eterno. Sua nica esperana est em render-se a sentena que a justia 
divina lhe passou, apropriar-se da retido absoluta que a caracteriza, lanar-se  misericrdia de Deus, e estender mos vazias para servir-se da graa de Deus, 
que agora chegou a conhecer por meio do evangelho.
       A terceira pessoa da Deidade  o comunicador da graa  pelo que e denominado "... o Esprito de graa... " (Zacarias 12-10) Deus, o Pai,  a fonte de toda 
graa, pois Ele em Si mesmo determinou a aliana eterna da redeno. Deus, o Filho,  o nico canal da graa. O evangelho  o divulgador da graa. O Esprito  o 
doador. Ele aplica o evangelho com poder salvador  alma vivificando os eleitos enquanto ainda mortos, dominando as suas vontades rebeldes, amolecendo os seus duros 
coraes,  abrindo-lhes os olhos da sua cegueira, limpando-os da lepra do pecado   Podemos assim dizer com G. S. Bishop (j falecido): "A graa  uma proviso para 
homens que se acham to decados que no podem erguer o machado da justia, to corruptos que no podem mudar as suas prprias naturezas, to contrrios a Deus que 
no podem voltar para Ele, to cegos que no podem v-10, to surdos que no podem ouvi-1O, e to mortos que Ele mesmo precisa abrir os seus tmulos e levant-los 
para a ressurreio".
      
      
      
      
      
      
      
      
      
      
      
      
      

14

A MISERICRDIA DE DEUS
       
       "Louvai ao Senhor, porque ele  bom; porque a sua begnidade (ou misericrdia) dura para sempre" (Salmo 136-1) Deus deve ser grandemente louvado por esta perfeio 
do Seu carter. Por trs vezes, em trs versculos, o salmista convida os santos a louvarem ao Senhor por este atributo adorvel. E certamente  o mnimo que se 
pode pedir aos que to copiosamente se beneficiaram dele. Quando ponderamos as caractersticas desta excelncia divina, no podemos seno bendizer a Deus por ela 
A Sua misericrdia (ou benignidade),  "grande" (1 Reis 3-6- 1 Pedro 1:3), "abundante" (Salmo 86:5), "terna" (Lucas 1-78 'na verso utilizada pelo autor); "... de 
eternidade a eternidade sobre aqueles que o temem..." (Salmo 103:17). Bem podemos dizer com o salmista: "... louvarei com alegria a tua misericrdia ...  (Salmo 
59:16).
       "... eu farei passar toda a minha bondade por diante de ti e apregoarei o nome do Senhor diante de ti; e terei misericrdia de quem eu tiver misericrdia, 
e me compadecerei de quem me compadecer" (xodo 33:19). Em que a misericrdia de Deus difere da Sua "graa"? A misericrdia de Deus tem sua origem na bondade divina. 
O primeiro fruto da bondade de Deus  Sua benignidade ou generosidade, pela qual Ele d liberalmente a Suas criaturas como criaturas; assim deu Ele o ser e a vida 
a todas as coisas. O segundo fruto da bondade de Deus  Sua misericrdia, que denota a pronta inclinao de Deus para aliviar a misria das criaturas cadas. Assim, 
"misericrdia" pressupe pecado.
       Embora no seja fcil,  primeira considerao, perceber uma real diferena entre a graa e a misericrdia de Deus, podemos compreend-la se ponderarmos cuidadosamente 
os Seus procedimentos para com os anjos que no caram. Ele nunca exerceu misericrdia para com eles, pois jamais tiveram qualquer necessidade dela, pois no pecaram, 
nem ficaram debaixo dos efeitos da maldio. Todavia, eles so objetos da livre e soberana graa de Deus. Primeiro, porque Deus os elegeu do seio de toda a raa 
anglica (1 Timteo 5:21), Segundo, e em conseqncia da sua eleio, porque foram preservados da apostasia, quando Satans se rebelou e arrastou consigo um tero 
das hostes celestiais (Apocalipse 12:4), Terceiro, tornando Cristo a Cabea deles (Colossenses 2:10; 1 Pedro 3:22), meio pelo qual eles permanecem eternamente seguros 
na santa condio em que foram criados. Quarto, devido  exaltada posio que lhes foi atribuda: viver na presena imediata de Deus (Daniel 7:10), servi-1O constantemente 
em Seu templo celestial, receber dEle honrosas misses (Hebreus 1:14). Isso  graa abundante para com eles, mas "misericrdia" no .
       No empenho em estudar a misericrdia de Deus como exposta nas Escrituras,  preciso fazer uma trplice distino, se  que a Palavra da Verdade h de ser 
"bem manejada" nesse ponto. Primeiro, h uma misericrdia geral de Deus, que se estende no somente a todos os homens, crentes e descrentes igualmente, mas tambm 
 criao inteira: "...as  suas  misericrdias  so sobre todas as suas obras" (Salmo 145:9); "... de mesmo  quem d a todos a vida, e a respirao, e todas as 
coisas" (Atos 17:25). Deus tem compaixo da criao animal em suas necessidades, e a supre de proviso adequada. Segundo, h uma misericrdia especial de Deus, exercida 
para com os filhos dos homens, ajudando-os e socorrendo-os, apesar dos seus pecados. Tambm a estes Deus supre todas as necessidades da vida: "... porque faz que 
o seu sol se levante sobre maus e bons, e a chuva desa sobre justos e injustos" (Mateus 5:45). Terceiro, h uma misericrdia soberana, reservada para os herdeiros 
da salvao, comunicada a estes por meio de uma aliana, atravs do Mediador.
       Acompanhando um pouco mais a diferena entre o segundo e o terceiro pontos distintivos acima expostos,  importante notar que as misericrdias que Deus concede 
aos mpios so exclusivamente de natureza temporal; quer dizer, limitam-se estritamente a presente vida. No haver misericrdia que se estenda a eles alm-tumulo: 
"... este povo no  povo de entendimento- por isso aquele que o fez no se compadecera dele, e aquele que o formou no lhe mostrar nenhum favor" (Isaas 27:11) 
Neste ponto, porm, pode oferecer-se uma dificuldade a algum dos nossos leitores, a saber: no afirmam as Escrituras que a misericrdia de Deus, "...a sua benignidade 
dura para sempre"?   (Salmo 13b: 1)7 E preciso assinalar duas coisas neste contexto. Deus nunca deixa de ser misericordioso, pois isto constitui uma qualidade da 
essncia divina (Salmo 116:5); mas o exerccio da Sua misericrdia e regulado por Sua vontade soberana. Tem que ser assim, pois no ha fora dEle coisa nenhuma que 
O obrigue a agir;  se houvesse, essa "coisa" seria suprema e Deus deixaria de ser Deus.  somente a pura graa soberana que determina o exerccio da misericrdia 
divina. Deus afirma expressamente este fato em Romanos 9:15: "Pois diz a Moiss:  Compadecer-me-ei de quem compadecer, e terei misericrdia de quem eu tiver misericrdia. 
No e a desgraa da criatura que O leva a mostrar misericrdia,  pois  Deus no  influenciado por coisas  alheias  a  Si mesmo, como ns somos. Se Deus fosse influenciado 
pela misria abjeta dos pecadores leprosos, Ele os limparia e os salvaria a todos. Mas no o faz. Por qu? Simplesmente porque no  do Seu agrado e do Seu propsito 
agir assim. Menos ainda so os mritos da criatura que O levam a conceder-lhes misericrdias, pois  uma contradio de termos falar em merecer "misericrdia". "No 
petas obras de justia que houvssemos feito, mas segundo a sua misericrdia, nos salvou..." (Tito 3:5) - aquelas estando em direta anttese a esta. Tampouco so 
os mritos de Cristo que movem Deus a conceder misericrdias aos Seus eleitos; isto seria tomar o efeito pela causa.  "atravs" ou por causa da misericrdia de 
Deus que Cristo foi enviado ao mundo, ao Seu povo (Lucas 1:78). Os mritos de Cristo tornaram possvel a Deus conceder justamente misericrdias espirituais aos Seus 
eleitos, tendo sido satisfeita plenamente a justia pelo Fiador! No, a misericrdia provm unicamente da vontade soberana de Deus.
       Ademais, conquanto seja verdade, bendita e gloriosa verdade, que a misericrdia de Deus "dura para sempre", devemos observar cuidadosamente os objetos a quem 
Deus mostra misericrdia. At o lanamento dos reprovados no "lago de fogo"  um ato de misericrdia. O castigo dos mpios deve ser considerado de um trplice ponto 
de vista. Do lado de Deus,  um ato de justia, vindicando a Sua honra, A misericrdia de Deus nunca se mostra cm detrimento da Sua santidade e justia. Do lado 
dos mpios,  um ato de eqidade, dado que so postos a sofrer a merecida recompensa das suas iniqidades. Mas do ponto de vista dos redimidos, o castigo dos mpios 
 um ato de indescritvel misericrdia. Quo terrvel seria se a presente ordem de coisas continuasse para sempre, quando os filhos de Deus so forados a viver 
no meio dos filhos do diabo! O cu logo deixaria de ser cu, se os ouvidos dos santos ainda ouvissem a Linguagem blasfema e corrompida dos reprovados. Que misericrdia, 
o fato de que na Nova Jerusalm no entrar " ... coisa alguma que contamine, e cometa abominao... " (Apocalipse 21:27)!
       Para que o leitor no pense que no ltimo pargrafo acima estivemos laborando sobre a nossa imaginao, apelemos para as Escrituras Sagradas em apoio do que 
foi dito. No Salmo 143:12 vemos Davi orando: "E por tua misericrdia desarraiga os meus inimigos, e destri a todos os que angustiam a minha alma: pois sou teu servo". 
Ainda, no Salmo 136:15 lemos que Deus "derribou a Fara com o seu exrcito no Mar Vermelho; porque a sua benignidade (ou misericrdia) dura para sempre". Foi um 
ato de castigo a Fara e aos seus exrcitos, mas foi um ato de "misericrdia" para os israelitas. Mais ainda, em Apocalipse 19:1-3 lemos: "... ouvi no cu como que 
uma grande voz de uma grande multido, que dizia: Aleluia; Salvao, e glria, e honra, e poder pertencem ao Senhor nosso Deus; porque verdadeiros e justos so os 
seus juzos, pois julgou a grande prostituta, que havia corrompido a terra com a sua prostituio, e das mos dela vingou o sangue dos seus servos. E outra vez disseram: 
Aleluia. E o fumo dela sobe para todo o sempre".
       Do que se acaba de ver diante de ns, notemos como  v a presunosa esperana dos mpios que, apesar do seu continuado desafio a Deus, mesmo assim contam 
com uma atitude misericordiosa de Deus em favor deles. Quantos h que dizem: no acredito que Deus me lanar no inferno; Ele  muito misericordioso. Essa esperana 
 uma vbora que, se for acalentada no colo deles, ir feri-los com picada morta!. Deus  Deus de justia, como de misericrdia, e Ele declarou expressamente que 
"... ao culpado no tem por inocente..." (xodo 34:7). Sim, Ele disse: "Os mpios sero lanados no inferno e todas as gentes que se esquecem de Deus" (Salmo 9:17). 
Tambm poderiam raciocinar os homens: se se deixasse acumular o lixo, e os esgotos ficassem estagnados, e as pessoas ficassem privadas de ar renovado, no acredito 
que um Deus misericordioso as deixaria cair presas de uma febre mortal. O fato  que aqueles que negligenciam as leis da sade so tomados pela doena, apesar da 
misericrdia de Deus. Igualmente verdade  que os que negligenciam as leis da sade espiritual sofrero para sempre a ''segunda morte".
        indizivelmente grave ver tantos abusando desta perfeio divina. Continuam desprezando a autoridade de Deus, pisoteando Suas leis; continuam em pecado, 
e ainda se vangloriam apoiados na Sua misericrdia.   Mas Deus no ser injusto para Consigo mesmo. Deus mostra misericrdia para o penitente sincero, no porm 
para o impenitente (Lucas 13:3).  diablico continuar em pecado e ainda contar com a misericrdia de Deus para a proscrio do castigo. Equivale a dizer: "Faamos 
males, para que venham bens". Dos que falam assim, est escrito: "... A condenao desses  justa' (Romanos 3:8). Com toda a certeza, essa presuno se ver frustrada; 
leia cuidadosamente Deuteronmio 29:18-20. Cristo  a propiciao espiritual, e todos quantos desprezarem e rejeitarem o Seu senhorio, perecero "... no caminho, 
quando em breve se inflamar a sua ira" (Salmo 2:12).
       O nosso pensamento final ser sobre as misericrdias espirituais de Deus para com o Seu povo. "... a tua misericrdia  grande at aos cus..." (Salmo 57:10). 
As riquezas da misericrdia transcendem os nossos mais elevados pensamentos. "Pois quanto o cu est elevado acima da terra, assim  grande a sua misericrdia para 
com os que o temem" (Salmo 103:11). Ningum pode medi-la. Os eleitos so designados "... vasos de misericrdia..." (Romanos 9:23). Foi a misericrdia que os vivi-ficou 
quando estavam mortos em pecado (Efsios 2:4-5). A misericrdia os salvou (Tito 3:5). Sua abundante misericrdia os regenerou para uma herana eterna (1 Pedro 1:3). 
E nos faltaria tempo para falar da misericrdia de Deus que preserva, sustenta, perdoa e supre os Seus. Para eles Deus  "... Pai das misericrdias..." (2 Corntios 
1:3).
       
Quando em elevao minha alma sonda 
as Tuas misericrdias,  meu Deus, 
a viso me arrebata, e ento me absorvo em encanto, 
em amor e em louvor.
       
       
       
       
       
       
       
       
       
       
       
       
       
       
       
       
       
       
       
       
       
       
       
       
       
       
       
       
       

15

O AMOR DE DEUS
      
       As Escrituras nos dizem trs coisas a respeito da natureza de Deus. Primeira, "Deus  esprito" (Joo 4:24). No grego no h artigo indefinido. Dizer "Deus 
 um esprito"  sumamente repreensvel, pois O coloca na mesma classificao de outros seres. Deus  "esprito" no sentido mais elevado. Como  "esprito",  incorpreo, 
no tem substncia visvel. Tivesse Deus um corpo tangvel, no seria onipresente, estaria limitado a um lugar; sendo "esprito", enche os cus e a terra. Segunda, 
"Deus  luz" (1 Joo 1:5), o que  oposto s trevas. Nas Escrituras as "trevas" representam o pecado, o mal, a morte; a "luz" representa a santidade, a bondade, 
a vida. "Deus  luz" significa que Ele  a soma de todas as excelncias. Terceira, "Deus  amor" (1 Joo 4:8). No  simplesmente que Deus ama, porm que  amor 
mesmo. O amor no  meramente um dos Seus atributos, mas sim Sua prpria natureza,
       Muitos hoje falam do amor de Deus, mas so completamente alheios ao Deus de amor. Comumente se considera o amor divino como uma espcie de fraqueza amvel, 
uma certa indulgncia boazinha; fica reduzido a um sentimento enfermio, modelado nas emoes humanas. Pois bem, a verdade  que nisto, como em tudo mais, os nossos 
pensamentos precisam ser formulados e regulados por aquilo que  revelado nas Escrituras Sagradas. Que h urgente necessidade disto transparece no s na ignorncia 
que geralmente prevalece, mas tambm no baixo nvel de espiritualidade atual que lamentavelmente se evidencia entre os cristos professos. Quo pouco amor genuno 
a Deus existe! Uma das principais razes disso  que os nossos coraes pouco se ocupam com o Seu maravilhoso amor por Seu povo. Quanto melhor conheamos o Seu amor 
- sua natureza, sua plenitude, sua bem-aventurana - mais os nossos coraes sero impelidos a am-1O.
       1. O amor de Deus  imune de influncia alheia. Queremos dizer com isso que no h nada nos objetos do Seu amor que possa coloc-lo em ao, e no h- nada 
na criatura que possa atra-lo ou impulsion-lo. O amor que uma criatura tem por outra deve-se a algo existente nelas; mas o amor de Deus  gratuito espontneo e 
no causado por nada nem por ningum. A nica razo pela qual Deus ama algum acha-se em Sua vontade soberana: "O Senhor no tomou prazer em vs,  nem vos escolheu, 
porque a vossa multido era mais do que a de todos os outros povos, pois vos reis menos em nmero do que todos os povos: mas porque o Senhor vos amava" {Deuteronmio 
7:7-8), Deus amou o Seu povo desde a eternidade e, portanto, a criatura nada tem que possa ser a causa daquilo que se acha em Deus desde a eternidade. Seu amor provm 
dEle prprio: "... segundo o seu prprio propsito..." (2 Timteo 1:9).
       "Ns o amamos a ele porque ele nos amou primeiro" (1 Joo 4:19). Deus no nos amou porque ns O amvamos, mas nos amou antes de ns termos uma s partcula 
de amor por Ele. Se Deus nos tivesse amado em resposta ao nosso amor, ento o Seu amor no seria espontneo; mas visto que Ele nos amou quando ns no O amvamos, 
 claro que o Seu amor no foi influenciado. Para que se honre a Deus, e se firme o corao do Seu Filho,  altamente importante que entendamos com absoluta clareza 
esta verdade preciosa. O amor de Deus por mim e por todos e cada um dos que so "Seus" no foi movido nem motivado por coisa nenhuma em ns. Que havia em mim que 
atraiu o corao de Deus? Absolutamente nada. Ao contrrio, porm, havia tudo para O repelir, tudo na medida para lev-lO a detestar-me - sendo eu pecador, depravado, 
corrupto, sem "nenhum bem" em mim.
       
       "O que existia em mim que merecesse estima
       ou desse algum prazer ao Criador?
       Fosse assim mesmo,  Pai, eu sempre cantaria
       por veres algo bom em mim, Senhor."
       
       2.  eterno. Necessariamente, Deus  eterno, e Deus  amor; portanto, como Deus no teve princpio, Seu amor tambm no teve. Mesmo concedendo que esse conceito 
transcende o alcance das nossas frgeis mentes, contudo, quando no podemos compreender, podemos inclinar-nos em adorao. Como  claro o testemunho de Jeremias 
31:3: "... com amor eterno te amei, tambm com amorvel benignidade te atra"! Que bem-aventurana saber que o grandioso e santo Deus amava o Seu povo antes do cu 
e a terra terem sido chamados  existncia, que Ele pusera o Seu corao neles desde toda a eternidade! Esta  uma prova clara de que o Seu amor  espontneo, pois 
Ele os amou eras sem fim, antes de sequer existirem!
       A mesma verdade preciosa  exposta em Efsios 1:4-5: "Como tambm nos elegeu nele antes da fundao do mundo, para que fssemos santos e irrepreensveis diante 
dele em caridade; e nos predestinou..." (ou, na verso empregada pelo autor, "Havendo-nos predestinado em amor"). Que de louvores isto deveria evocar de cada um 
dos Seus filhos! Que tranqilidade para o corao saber que, uma vez que o amor de Deus por mim no teve comeo, certamente no ter fim! Se  certo que "de eternidade 
a eternidade" Ele  Deus, e  "amor", ento  igualmente certo que "de eternidade a eternidade" Ele ama a Seu povo.
       3.  soberano. Isso tambm  evidente em si mesmo. Deus  soberano, no deve obrigao a ningum; Ele  Sua prpria lei e age sempre de acordo com a Sua vontade 
dominadora. Assim, pois, se Deus  soberano e  amor, infere-se necessariamente que o Seu amor  soberano. Porque Deus  Deus, faz o que Lhe agrada; porque  amor, 
ama a quem Lhe apraz. Eis a Sua prpria afirmao expressa: "... amei Jac e aborreci Esa" (Romanos 9:13). Em Jac no havia mais razo do que em Esa para ser 
objeto do amor divino. Ambos tinham os mesmos pais e, gmeos que eram, nasceram na mesma hora. Contudo, Deus amou um e aborreceu o outro. Por que? Porque assim Lhe 
aprouve.
       A soberania do amor de Deus infere-se necessariamente do fato de que nada do que h na criatura o influencia. Portanto, afirmar que a causa do Seu amor est 
em Deus  outro modo de dizer que Ele ama a quem Lhe apraz. Por um momento, suponha o oposto. Suponha que o amor de Deus fosse governado por outra coisa que a Sua 
vontade, caso em que Ele amaria seguindo alguma norma e, amando por alguma norma, Ele estaria subordinado a uma lei do amor e, ento, longe de ser livre, Deus seria 
governado por uma lei. "Em amor nos predestinou para filhos de adoo por Jesus Cristo, para si mesmo, segundo" - o qu? Alguma virtude que previu neles? No. O 
que, ento? - "...  segundo o beneplcito de sua vontade" (Efsios  1:4-5).
       4.  infinito. Em Deus tudo  infinito. Sua essncia enche os cus e a terra. Sua sabedoria no sofre nenhuma limitao, porquanto Ele conhece todas as coisas, 
do passado, do presente e do futuro. Seu poder  ilimitado, pois no h nada difcil demais para Ele. Assim, o Seu amor  sem limite. H nele uma profundidade que 
ningum consegue sondar; h nele uma altitude que ningum consegue escalar; h nele uma largura e um comprimento que desdenhosamente desafiam a medio feita por 
todo e qualquer padro humano.  declarado belamente em Efsios 2:4: "Mas Deus, que  riqussimo em misericrdia, pelo seu muito amor com que nos amou". A palavra 
"muito" aqui faz paralelo com a expresso "... Deus amou... de tal maneira..." (Joo 3:16), Diz-nos que o amor de Deus  to transcendental que no pode ser avaliado.
       "Nenhuma lngua pode expressar plenamente a infinidade do amor de Deus, e nenhum intelecto pode compreend-lo: "... excede todo o entendimento..." (Efsios 
5:19). As idias mais amplas que nossa mente finita possa conceber acerca do amor divino, esto infinitamente abaixo da sua verdadeira natureza. O cu no se acha 
to distante da terra como a bondade de Deus est alm das mais elevadas concepes que somos capazes de formular dela. A bondade divina  um oceano que se avoluma 
e se torna mais alto do que todas as montanhas de oposio nos que so objetos dela. E uma fonte da qual dimana todo o bem necessrio aos que a ela esto ligados" 
(John Brine, 1743).
       5. E imutvel. Como em Deus "... no h mudana nem sombra de variao" (Tiago 1:17), assim o Seu amor no conhece mudana nem diminuio. O verme Jac d-nos 
enftico exemplo disto: "Amei Jac", declarou Jeov, e, a despeito de toda a sua incredulidade e obstinao, Ele nunca deixou de am-lo. Joo 13:1 oferece-nos outra 
bela ilustrao. Precisamente naquele noite um dos apstolos diria "... mostra-nos o Pai. .."; outro O negaria soltando maldies; todos se escandalizariam por causa 
dEle e O abandonariam. Todavia, "... como havia amado os seus, que estavam no mundo, amou-os at ao fim". O amor divino no se rende s vicissitudes. O amor divino 
 "... forte como a morte ... as muitas guas no poderiam apagar este amor..." (Cantares de Salomo 8:6-7). Nada nos pode separar dele: Romanos 8:35-39.
       
       "Seu amor no se mede e no conhece fim,
       nada pode mud-lo, nem seu curso.
       Eternamente o mesmo, sem cessar dimana
       do manancial eterno."
       
       6.    santo. O amor de Deus no  regulado por capricho, paixo ou sentimento, mas por princpio. Exatamente como a Sua graa reina, no s suas expensas, 
mas "pela justia" (Romanos 5:21), assim o Seu amor nunca entra em conflito com a Sua santidade. Que "Deus  luz" (1 Joo 1:5) se menciona antes de dizer-se que 
"Deus  amor" (1 Joo 4:8). O amor de Deus no  mera fraqueza boazinha, nem brandura efeminada. As Escrituras declaram: "... o Senhor corrige o que ama, e aoita 
a qualquer que recebe por filho" (Hebreus 12:6). Deus no tolerar o pecado, mesmo em Seu povo. O Seu amor  puro, e no se mistura com nenhum sentimentalismo piegas.
       7.    pleno de graa. O amor e o favor de Deus so inseparveis. Esta verdade  exposta claramente em Romanos 8:32-39. O que  esse amor, do qual,nada nos 
pode -separar, percebe-se facilmente pelo propsito e alcance do contexto imediato:  aquela boa vontade ou beneplcito e graa de Deus que O determinou a dar Seu 
Filho pelos pecadores. Esse amor foi o poder impulsivo da encarnao de Cristo: "... Deus amou o mundo de tal maneira que deu o seu Filho unignito..." (Joo 3:16). 
Cristo morreu, no para fazer com que Deus nos amasse, mas porque Ele amava o Seu povo. O Calvrio  a suprema demonstrao do amor divino. Leitor cristo, sempre 
que voc for tentado a duvidar do amor de Deus, volte ao Calvrio.
       H aqui, pois, farta causa para confiana e pacincia sob a aflio debaixo da mo de Deus. Cristo era amado pelo Pai, porm Ele no foi eximido de pobreza, 
humilhao e perseguio. Cristo teve fome e sede. Assim, quando Cristo permitiu que os homens cuspissem nEle e O golpeassem, isso no foi incompatvel com o amor 
de Deus por Ele. Portanto, que nenhum cristo questione o amor de Deus quando passar por aflies e provaes. Deus no enriqueceu a Cristo na terra com prosperidade 
temporal, pois Ele no tinha "... onde reclinar a cabea" (Mateus 8:20). Mas Deus Lhe deu o Esprito sem medida {Joo 3:34). Aprenda o cristo, pois, que as bnos 
espirituais so os principais dons do amor divino. Que bno saber que, ao passo que o mundo nos odeia, Deus nos ama!
      
      
      
      
      
      
      
      
      
      
      
      
      
      
      
      
      
      
      
      
      
      
      
16

A IRA DE DEUS
      
        triste ver tantos cristos professos que parecem considerar a ira de Deus como uma coisa pela qual eles precisam pedir desculpas, ou, pelo menos, parece 
que gostariam que no existisse tal coisa. Conquanto alguns no fossem longe o bastante para admitir abertamente que a consideram uma mancha no carter divino, contudo, 
esto longe de v-la com bons olhos, no gostam de pensar nisso e dificilmente a ouvem mencionada sem que surja em seus coraes um ressentimento contra essa idia. 
Mesmo dentre os mais sbrios em sua maneira de julgar, no poucos parecem imaginar que h na questo da ira de Deus uma severidade terrificante demais para propiciar 
um tema para considerao proveitosa. Outros do abrigo ao erro de pensar que a ira de Deus no  coerente com a Sua bondade, e assim procuram bani-la dos seus pensamentos.
       Sim, muitos h que fogem de visualizar a ira de Deus, como se fossem intimados a ver alguma ndoa no carter divino, ou algum defeito no governo divino. Mas, 
o que dizem as Escrituras? Quando a procuramos nelas, vemos que Deus no fez tentativa alguma para ocultar a realidade da Sua ira. Ele no se envergonha de dar a 
conhecer que a vingana e a clera Lhe pertencem. Eis o Seu desafio: "Vede agora que eu, eu o sou, e mais nenhum Deus comigo; eu mato, e eu fao viver; eu  firo, 
e eu saro; e ningum h que escape da minha mo. Porque levantarei a minha mo aos cus, e direi: Eu vivo para sempre. Se eu afiar a minha espada reluzente, e travar 
do juzo a minha mo, farei tornar a vingana sobre os meus adversrios, e recompensarei aos meus aborrecedores" (Deuteronmio 32:39-41). Um estudo na concordncia 
mostrar que h mais referncias nas Escrituras  indignao,  clera e  ira de Deus, do que ao Seu amor e ternura. Porque Deus  santo, Ele odeia todo pecado; 
e porque Ele odeia todo pecado, a Sua ira inflama-se contra o pecador Salmo 7:11.
       Pois bem, a ira de Deus  uma perfeio divina tanto como a Sua fidelidade, o Seu poder ou a Sua misericrdia. S pode ser assim, pois no h mcula alguma, 
nem o mais ligeiro defeito no carter de Deus, porm, haveria, se nEle no houvesse "ira"! A indiferena para com o pecado  uma ndoa moral, e aquele que no o 
odeia  um leproso moral. Como poderia Aquele que  a soma de todas as excelncias olhar com igual satisfao para a virtude e o vcio, para a sabedoria e a estultcia? 
Como poderia Aquele que  infinitamente santo ficar indiferente ao pecado e negar-Se a manifestar a Sua "severidade" (Romanos 11:22) para com ele? Como poderia Aquele 
que s tem prazer no que  puro e nobre, deixar de detestar e de odiar o que  impuro e vil? A prpria natureza de Deus faz do inferno uma necessidade to real, 
um requisito to imperativo e eterno como o cu o . No somente no h imperfeio nenhuma em Deus, mas tambm no h nEle perfeio que seja menos perfeita do 
que outra.
       A ira de Deus  a Sua eterna ojeriza por toda injustia.  o desprazer e a indignao da divina eqidade contra o mal.  a santidade de Deus posta em ao 
contra o pecado.  a causa motora daquela sentena justa que Ele lavra sobre os malfeitores. Deus est irado contra o pecado porque este  rebelio contra a Sua 
autoridade, um ultraje  Sua soberania inviolvel. Os insurgentes contra o governo de Deus sabero um dia que Deus  o Senhor. Sero levados a sentir quo grandiosa 
 aquela Majestade que eles desprezaram, e como  terrvel aquela ira de que foram ameaados e a que no deram a mnima importncia. No que a ira de Deus seja uma 
retaliao maldosa e mal intencionada, infligindo agravo s pelo prazer de infligi-lo, ou devolver a ofensa recebida. No; embora seja verdade que Deus vindicar 
o domnio como Governador do universo, Ele no ser revanchista.
       Evidencia-se que a ira divina  uma das perfeies de Deus, no somente pelas consideraes acima apresentadas, mas tambm fica estabelecido claramente pelas 
declaraes expressas da Sua Palavra. "Porque do cu se manifesta a ira de Deus..." (Romanos 1:18). "Manifestou-se quando foi pronunciada a primeira sentena de 
morte, quando a terra foi amaldioada e o homem foi expulso do paraso terrestre; e depois, mediante castigos exemplares como o dilvio e a destruio das cidades 
da plancie com fogo do cu, mas, especialmente pelo reinado da morte no mundo todo. Foi proclamada na maldio da lei para cada transgresso, e foi imposta na instituio 
do sacrifcio. No captulo 8 de Romanos, o apstolo Paulo chama a ateno dos crentes para o fato de que a criao inteira ficou sujeita  vaidade, e geme e tem 
dores de parto. A mesma criao que declara que existe um Deus, e publica a Sua glria, tambm proclama que Ele  o inimigo do pecado e o vingador dos crimes dos 
homens. Acima de tudo, porm, do cu se manifestou a ira de Deus quando o Filho de Deus veio a este mundo para revelar o carter divino, e quando essa ira foi demonstrada 
nos Seus sofrimentos  morte, de maneira mais terrvel do que por todas as provas que Deus antes dera da Sua averso pelo pecado. Alm disso, o castigo futuro e 
eterno dos mpios agora  declarado em termos mais solenes e explcitos do que antes. Sob a nova dispensao h duas revelaes dadas do cu, uma da ira, a outra 
da graa" (Robert Haldane).
       Mais: que a ira de Deus  uma perfeio divina est demonstrado claramente pelo que lemos no Salmo 95:11: "Por isso jurei na minha ira que no entraro no 
meu repouso". Duas so as ocasies em que Deus "jura": quando faz promessas (Gnesis 22:16), e quando faz ameaas (Deuteronmio 1:34). Na primeira, jura com misericrdia 
dos Seus filhos; na segunda, jura para aterrorizar os mpios. Um juramento  feito para confirmao: Hebreus 6:16. Em Gnesis 22:16 disse Deus: "Por mim mesmo, jurei", 
No Salmo 89:35 Ele declara; "Uma vez jurei por minha santidade". Enquanto que no Salmo 95:11 Ele afirma: "Jurei na minha ira". Assim  que o grande Jeov pessoalmente 
recorre  Sua "ira" como a uma perfeio igual  Sua "santidade": tanto jura por uma como pela outra! Ainda: como em Cristo "... habita corporalmente toda a plenitude 
da divindade" (Colossenses 2:9), e como todas as perfeies divinas so notavelmente manifestadas por Ele (Joo 1:18), por isso lemos sobre "... a ira do Cordeiro" 
(Apocalipse 6:16).
       A ira de Deus  uma perfeio do carter divino sobre a qual precisamos meditar com freqncia. Primeiro, para que os nossos coraes fiquem devidamente impressionados 
com a ojeriza de Deus pelo pecado, Estamos sempre inclinados a uma considerao superficial do pecado, a encobrir a sua fealdade, a desculp-lo com excusas vrias, 
Mas, quanto mais estudarmos e ponderarmos a averso de Deus pelo pecado e a maneira terrvel como se vinga dele, mais probabilidade teremos de compreender quo horrvel 
 o pecado. Segundo, para produzir em nossas almas um verdadeiro temor de Deus: "... retenhamos a graa, pela qual sirvamos a Deus agradavelmente com reverncia 
e piedade ("santo temor"); porque o nosso Deus  um fogo consumidor" (Hebreus 12:28-29). No poderemos servi-1O "agradavelmente" sem a devida "reverncia" ante a 
Sua tremenda Majestade e sem o devido "santo temor" de Sua justa ira, e promoveremos melhor estas coisas trazendo freqentemente  memria o fato de que "o nosso 
Deus  um fogo consumidor". Terceiro, para induzir nossas almas a fervoroso louvor a Deus por ter-nos livrado "... da ira futura" (1 Tessalonicenses  1:10).
       A nossa prontido ou a nossa relutncia em meditar na ira de Deus  um teste seguro de at que ponto os nossos coraes reagem  Sua influncia. Se no nos 
regozijamos verdadeiramente em Deus, pelo que Ele  em Si mesmo, e por todas as perfeies que nEle h eternamente, como poder permanecer em ns o amor de Deus? 
Cada um de ns precisa vigiar o mais possvel em orao contra o perigo de criar em nossa mente uma imagem de Deus segundo o modelo das nossas inclinaes pecaminosas. 
Desde h muito o Senhor lamentou: "...pensavas que (eu) era como tu" (Salmo 50:21). Se no nos alegramos "...em memria da sua santidade" (Salmo 97:12), se no nos 
alegramos por saber que num dia que logo vem, Deus far uma demonstrao sumamente gloriosa da Sua ira,  tomando vingana em todos os que agora se opem a Ele,  
prova positiva de que os nossos coraes no esto sujeitos a Ele, que ainda permanecemos em nossos pecados, rumo s chamas eternas.
       "Jubilai,  naes (gentios), com o seu povo, porque vingar o sangue dos seus servos, e sobre os seus adversrios far tornar a vingana..." (Deuteronmio 
32:43). E ainda lemos: "E, depois destas coisas, ouvi  no cu  como "que uma grande voz  de uma grande multido, que dizia: Aleluia; Salvao, e glria, e honra, 
e poder pertencem ao Senhor nosso Deus; Porque verdadeiros e justos so os seus juzos, pois julgou a grande prostituta, que havia corrompido a terra com a sua prostituio, 
e das mos dela vingou o sangue dos seus servos. E outra vez disseram: Aleluia..." (Apocalipse 19:1 -3). Grande ser o regozijo dos santos naquele dia em que o Senhor 
ir vindicar a Sua majestade, exercer o Seu domnio formidvel, magnificar a Sua justia, e derribar os orgulhosos rebeldes que ousaram desafi-lO.
       "Se tu, Senhor, observares (imputares) as iniqidades, Senhor, quem subsistir?" (Salmo 130:3). Cada um de ns pode muito bem fazer esta pergunta, pois est 
escrito que "...os mpios no subsistiro no juzo..." (Salmo 1:5). Quo dolorosamente a alma de Cristo padeceu ao pensar na ao de Deus observando as iniqidades 
do Seu povo quando estas pesaram sobre
       Ele! Ele "... comeou a ter pavor, e a angustiar-se" (Marcos 14:33). Sua agonia terrvel, Seu suor de sangue, Seu grande clamor e splicas (Hebreus 5:7), 
Suas reiteradas oraes, "Se  possvel, passe de mim este clice", Seu ltimo e tremendo brado, "Deus meu, Deus meu, por que me desamparaste?" - tudo manifesta 
que pavorosas apreenses Ele teve quanto ao que era para Deus "observar iniqidades1'. Bem que ns, pobres pecadores, podemos clamar: Senhor, quem subsistir, se 
o prprio Filho de Deus tremeu tanto sob o  peso da Tua  ira?  Se tu, meu leitor, ainda no correste em busca do refgio em Cristo, o nico Salvador, "... que fars 
na enchente do Jordo?" (Jeremias 12:5). "Quando considero como a bondade de Deus sofre abusos da maior parte da humanidade, no posso seno apoiar quem disse; "O 
maior milagre do mundo  a pacincia e generosidade de Deus para com o mundo ingrato. Se um prncipe tem inimigos metidos numa de suas cidades, no lhes envia provises, 
mas mantm sitiado o local e faz o que pode para venc-los pela fome. Mas o grande Deus, que poderia levar todos os Seus inimigos  destruio num piscar de olhos, 
tolera-os e se empenha diariamente para sustent-los. Aquele que faz o bem aos maus e ingratos, pode muito bem ordenar-nos que bendigamos os que nos maldizem. No 
penseis, porm, que escapareis assim, pecadores; o moinho de Deus mi devagar, mas mi fino; quanto mais admirvel  agora a Sua pacincia e generosidade, mais terrvel 
e insuportvel ser a fria resultante dos abusos feitos  Sua bondade. Nada  mais brando do que o mar; contudo, quando se agita e forma temporal, nada se enfurece 
mais. Nada  to suave como a pacincia e bondade de Deus, e nada to terrvel como a Sua ira quando se inflama" (William Gurnall, 1660). "Fuja", pois, meu leitor, 
fuja para Cristo; fuja "...da ira futura" (Mateus 3:7), antes que seja tarde demais. Ns lhe rogamos com todo o empenho, no pense que esta mensagem tem em vista 
outra pessoa.  para voc1. No fique satisfeito em pensar que voc j fugiu para Cristo. Obtenha certeza disso! Rogue ao Senhor que sonde o teu corao e te revele 
o que tu s.
       
       
       Uma palavra aos pregadores. Irmos, em nosso ministrio temos pregado sobre este solene assunto tanto como devamos? Os profetas do Velho Testamento muitas 
vezes diziam aos seus ouvintes que as suas vidas mpias provocavam o Santo de Israel, e que estavam entesourando para si mesmos ir para o dia da ira. E as condies 
do mundo hoje no so melhores do que eram ento! Nada se presta mais para despertar os indiferentes e fazer com que os crentes carnais sondem os seus coraes, 
do que alongar-nos sobre o fato de que Deus "...se ira todos os dias" com os mpios (Salmo 7:11). O precursor de Cristo exortava os seus ouvintes a fugirem "...da 
ira futura" (Mateus 3:7). O Salvador ordenava a quantos O ouviam: "Temei aquele que, depois de matar, tem poder para lanar no inferno, sim, vos digo, a esse temei" 
(Lucas 12:5). O apstolo Paulo dizia: "... sabendo o temor que se deve ao Senhor, persuadimos os homens..." (2 Corntios 5: li). A fidelidade exige que falemos to 
claramente do inferno como do cu.
       
       
       
       
       
       
       
       
       

17

CONTEMPLANDO A DEUS
      
       Nos captulos anteriores passamos em revista algumas das maravilhosas e belas perfeies do carter divino. Dessa dbil e defeituosa contemplao dos Seus 
atributos, deve ter ficado evidente para ns que Deus , primeiramente, um Ser incompreensvel, e, encantados e absortos ante a Sua grandeza infinita, vemo-nos constrangidos 
a adotar as palavras de Sofar: "Porventura alcanars os caminhos de Deus ou chegars  perfeio do Todo-poderoso? Como as alturas dos cus  a sua sabedoria; que 
poders tu fazer? Mais profunda  ela do que o inferno; que poders tu saber? Mais comprida  a sua medida do que a terra, e mais larga do que o mar" (J 11:7-9). 
Quando volvemos os nossos pensamentos para a eternidade de Deus,^ Sua imaterialidade, Sua onipresena, Sua onipotncia, vemos que todas elas transcendem nossas mentes.
       Mas a incompreensibilidade da natureza divina no  razo para desistirmos da pesquisa reverente e da luta em orao para apreender o que Ele de Si mesmo 
revelou por Sua graa em Sua Palavra. Dado que somos incapazes de adquirir conhecimento perfeito, seria insensato dizer que, portanto, no faremos nenhum esforo 
para conseguir qualquer proporo dEle. Com acerto se tem dito que "nada alargar tanto o intelecto, nada engrandecer tanto a alma do homem, como uma investigao 
devota, zelosa e continuada do grande tema da Deidade. O mais excelente estudo para a expanso da alma  a cincia de Cristo, e Este crucificado, e o conhecimento 
do Ser divino na Trindade gloriosa" (C. H. Spurgeon). Para citar um pouco mais o prncipe dos pregadores:
       "O estudo prprio do cristo  o da Deidade. A mais alta cincia, a mais elevada especulao, a mais vigorosa filosofia, com o poder de empolgar a ateno 
de um filho de Deus,  o nome, a natureza, a pessoa, os feitos e a existncia do grande Deus, a Quem ele chama seu Pai. Na contemplao da Deidade h algo capaz 
de comunicar sumo progresso  mente.  um assunto to vasto que todos os nossos pensamentos se perdem em sua imensidade; to profundo que o nosso orgulho se submerge 
em sua infinidade. Outros assuntos podemos compreender e tentar assimilar; neles sentimos uma espcie de satisfao prpria, e seguimos nosso caminho pensando: "Vejam 
como sou sbio!11 Mas quando chegamos a este assunto magistral, vendo que a nossa sonda no consegue sondar a sua profundidade e que o nosso olho de guia no consegue 
ver a sua altura, vamos embora pensando: "Eu sou de ontem apenas, e nada sei" (Sermo sobre Malaquias 3:6).
       Sim, a incompreensibilidade da natureza divina deveria ensinar-nos humildade, cautela e reverncia. Aps todas as nossas pesquisas e meditaes, temos que 
dizer com J: "Eis que isto so apenas as orlas dos seus caminhos; e quo pouco  o que temos ouvido dele!..." (J 26:14). Quando Moiss implorou ao Senhor por uma 
viso da Sua glria, Ele respondeu-lhe: ". . . apregoarei o nome do Senhor diante de ti..." (xodo 33:19), e, como j se disse, "o nome  a coleo dos Seus atributos". 
Acertadamente o puritano John Howe declarou: "Portanto, a noo que podemos formar da Sua glria  apenas como a que podemos ter de uma obra volumosa comparada com 
uma breve sinopse, ou de uma espaosa regio comparada com uma pequena vista panormica. Ele nos d aqui um fiel relato de Si mesmo, mas no completo; o bastante 
para garantir - graas  orientao que por ele nos vem - que a nossa compreenso fique livre de erro, mas no de ignorncia. Podemos aplicar as nossas mentes  
contemplao das diversas perfeies pelas quais o Deus bendito nos revela o Seu ser, e em nossos pensamentos podemos atribu-las todas a Ele, apesar de s termos 
ainda fraca e defeituosa concepo de cada uma delas. Todavia, na medida em que a nossa compreenso corresponda  revelao que Ele nos d das Suas vrias excelncias, 
temos uma apropriada viso da Sua glria".
       Como  realmente grande a diferena entre o conhecimento de Deus que os Seus santos tm nesta vida e aquele que eles tero no cu! Contudo, como o primeiro 
no deve ser menosprezado por ser imperfeito, o ltimo no deve ser engrandecido acima da realidade. Certo, as Escrituras declaram que ento veremos "face a face" 
e conheceremos como somos conhecidos (1 Corntios 13:12), mas inferir disto que conheceremos ento a Deus to completamente como Ele nos conhece  deixar-nos iludir 
pelos simples sons das palavras e no atentar para a restrio delas, restrio que o assunto exige necessariamente. H uma imensa diferena entre serem glorificados 
os santos e serem eles divinizados. No seu estado glorificado, os cristos continuaro sendo criaturas finitas, e, portanto, nunca sero capazes de compreender plenamente 
o Deus infinito.
       "Os santos no cu vero a Deus com os olhos da mente, pois Ele sempre ser invisvel aos olhos do corpo; e O vero mais claramente do que poderiam vendo-O 
pela razo e pela f, e mais extensamente que tudo que as Suas obras e dispensaes dEle revelaram at ento; mas as suas mentes no sero aumentadas a ponto de 
poderem contemplar de uma vez, ou minuciosamente, a excelncia completa da Sua natureza. Para compreenderem a perfeio infinita, eles prprios teriam que se tornar 
infinitos.
       Mesmo no cu, o seu conhecimento ser parcial, mas ao mesmo tempo a sua felicidade ser completa, porque o seu conhecimento ser perfeito neste sentido: ser 
adequado  capacidade do sujeito, sem todavia exaurir a plenitude do objeto. Cremos que ser progressivo e que,  medida que se lhes amplie a viso, sua bem-aventurana 
aumentar;   nunca,   porm,  chegar a um limite alm do qual no haja mais nada para ser descoberto; e depois de se terem passado eras e mais eras, Ele continuar 
sendo o Deus incompreensvel" (John Dick,  1840).
       Segundo, um exame das perfeies de Deus mostrar que Ele  um Ser absolutamente suficiente. -o em Si e para Si mesmo. Como o primeiro dos seres, Ele no 
precisa receber nada de outrem, nem pode ser limitado pelo poder de ningum. Sendo infinito, possui todas as perfeies possveis. Quando o Deus trino existia totalmente 
s, Ele era tudo para Si prprio. Seu entendimento, Seu amor, Suas energias encontravam nEle mesmo um objeto adequado. Se tivesse necessidade de alguma coisa externa, 
no seria independente e, portanto, no seria Deus. Ele criou todas as coisas, e isso "para ele" (Colossenses 1:16); todavia, no para preencher alguma lacuna, mas 
para poder comunicar vida e felicidade a anjos e homens e permitir-lhes a viso da Sua glria.  certo que Ele exige a lealdade e os servios de Suas criaturas dotadas 
de inteligncia, mas no extrai benefcio algum das suas funes; toda a vantagem redunda em favor delas mesmas: J 22:2-3. Ele faz uso de meios e instrumentos para 
realizar os Seus fins; no, porm, por deficincia de poder, mas muitas vezes para demonstrar mais extraordinariamente o Seu poder atravs da fragilidade dos instrumentos.
       A absoluta suficincia de Deus faz dEle o objeto supremo, que sempre se h de buscar. A verdadeira felicidade consiste unicamente em fruir a Deus. Seu favor 
 vida, e Sua amorvel bondade  mais que a vida. "A minha poro  o Senhor, diz a minha alma; portanto esperarei nele" (Lamentaes 3:24). As nossas percepes 
do Seu amor, da Sua graa, da Sua glria, so os principais objetos do desejo dos santos e os mananciais da sua mais elevada satisfao. "Muitos dizem: quem nos 
mostrar o bem? Senhor, exalta sobre ns a luz do teu rosto. Puseste alegria. no meu corao, mais do que no tempo em que se multiplicaram o seu trigo e o seu vinho" 
(Salmo 4:6-7). Sim, o cristo, quando em so juzo, pode dizer: "Porquanto, ainda que a figueira no floresa, nem haja fruto na vide; o produto da oliveira minta, 
e os campos no produzam mantimento; as ovelhas da malhada sejam arrebatadas, e nos currais no haja vacas: todavia eu me alegrarei no Senhor; exultarei no Deus 
da minha salvao" (Habacuque 3:17-18).
       Terceiro, ao se fazer um exame das perfeies de Deus, v-se que Ele  o Soberano Supremo do universo. Tem-se dito com acerto que, "Nenhum domnio  to absoluto 
como o que se funda na criao. Aquele que bem podia no ter feito coisa alguma, tinha o direito de fazer todas as coisas de acordo com o Seu beneplcito. No exerccio 
do Seu poder indomvel, Ele fez algumas partes da criao simples matria inanimada, de textura mais grosseira ou mais refinada, e distinguida por qualidades diferentes, 
mas sempre matria inerte e inconsciente. Ele deu organizao a outras partes, e as fez suscetveis de crescimento e expanso, mas ainda destitudas de vida no sentido 
prprio do termo. A outras no s deu organizao, mas tambm vida consciente, os rgos dos sentidos, e energia para auto-motivao. A estas Ele acrescentou, no 
homem, o dom da razo e um esprito imortal, pelos quais o homem se junta a uma ordem mais elevada de seres localizados nas regies superiores. Sobre o mundo que 
criou, Ele empunha o cetro da onipotncia. "... eu bendisse o Altssimo, e louvei, e glorifiquei ao que vive para sempre, cujo domnio  um domnio sempiterno, e 
cujo reino  de gerao em gerao. E todos os moradores da terra so reputados em nada; e segundo a sua vontade ele opera com o exrcito do cu e os moradores da 
terra: no h quem possa estorvar a sua mo e lhe diga: Que fazes? - Daniel 4:34-35" (John Dick).
       Uma criatura, como tal considerada, no tem direitos. Nada pode exigir do seu Criador; e, seja qual for a maneira como  tratada, no lhe compete queixar-se. 
Contudo, quando pensamos no absoluto domnio de Deus sobre todas as coisas e sobre todos os seres, no devemos perder de vista as Suas perfeies morais. Deus  
justo e bom, e sempre faz o que  reto. No obstante, Ele exerce o Seu domnio de acordo com o beneplcito da Sua vontade soberana e justa. Atribui a cada criatura 
o lugar que aos Seus olhos parece bom. Ordena as diferentes circunstncias relacionadas com cada criatura de acordo com os Seus conselhos.
       Modela cada vaso segundo a Sua determinao independente de toda e qualquer influncia. Tem misericrdia de quem Ele quer ter misericrdia, e endurece a quem 
Lhe apraz. Onde quer que estejamos, Seus olhos esto sobre ns. Quem quer que sejamos, nossa vida e tudo mais est  disposio dEle. Para o cristo, Ele  um Pai 
amoroso e gentil; para o pecador rebelde, Ele continuar sendo fogo consumidor. "Ora ao Rei dos sculos, imortal, invisvel, ao nico Deus seja honra e glria para 
todo o sempre. Amm" (1 Timteo 1:17).
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